Chuva de pedras

João Marcos


Que pedreira! Em exatos sete dias a pedra ou as pedras me visitaram. Uma chuva de granizos foi a primeira. Tudo bem, nesta época são constantes com as alterações climáticas.
Depois, uma topada. Não ví a dita cuja. Bem na unha encravada. Se doeu? Imagine!
Daí recebi um Whatsapp que falava filosoficamente sobre as pedras. Profundamente lindo e reflexivo. Resumindo, falava das pedras na edificação da construção civil com metáforas religiosas que se encaixavam muito bem. As pedras podem destruir sim. Mas nas mãos de quem sabe usá-las, são instrumentos para a reconstrução. Para Moisés, as pedras foram o papel perfeito para Deus escrever os seus mandamentos. Para Davi a pedra foi a arma que derrubou o seu gigante! Na reflexidade bíblica aparecem como pedras preciosas, das que brilham em nosso interior. E no exterior também. Pedra sobre pedra. Perfeito!

E as pedras das Pirâmides do Egito? Enigmáticas!
As pedras também ficaram com traje de gala no poema de Carlos Drummond de Andrade: “Tinha uma pedra no meio do caminho… No meio do caminho tinha uma pedra”.
Pedra genial, cultural! Cada pedra no meio do caminho nos ensina a caminhar melhor.
Você conhece a lição que o velho cacique ensinou ao indiozinho adolescente que seria o seu substituto? Não?
Certa manhã o velho cacique levou o pequeno índio a um rio longe da aldeia e o deixou lá. Voltaria no final da tarde para buscá-lo.
No meio do rio, tinha uma grande pedra…
No final do dia, o velho índio apareceu e perguntou-lhe:

– Que lição você aprendeu hoje vendo este rio com esta grande pedra?
– Não sei. Fiquei o dia todo vendo o rio e a pedra, mas não aprendi nada.

E o sábio cacique falou:

– Na vida, quando você não puder tirar uma grande pedra que esteja no seu caminho, faça como o rio, desvie dela.
Pensemos nisto! Não adianta querermos tirar leite das pedras!

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