Compromisso!

João Marcos

Os dias seguem e o aprendizado também. Às vezes nos momentos inesperados, inusitados…
No inverno de 2006 meu afilhado Juliano, com oito anos de idade, estava de férias por aqui. Fazia frio. As árvores peladas se ressentiam da estação e alguns poucos passarinhos procuravam um lugar ao sol. Assim como nós.
No quintal aqui de casa pendurado no poço, um bebedouro de água vazio para os beija-flores.
Fui interpelado pelo pequeno sobrinho:

– O que é isso aí?

Assuntei:

– A água açucarada é de gosto e alimento dos pequenos pássaros!
– Mas está vazio, sem água.
– É verdade. No inverno são uns poucos beija – flores que aparecem.
– Mas ficam sem a água doce?
– Aham…
– Por quê?
– São muito poucos. Acho bonito quando são bastante. Fico horas apreciando seus voos, suas plumagens, o bater frenético das asas para se manterem estáticos no ar e seus bicos finos se alimentando como se estivessem penetrando em uma flor para sugar o néctar! – concluí.


E expliquei o que era néctar…
O pequeno garoto meu fitou e falou:

– Mas se eles tomam a água no verão, também estão esperando por ela no inverno. Só porque são poucos, não ganham água?

Por alguns instantes fiquei pensativo com o que ouvira. É verdade. Assumi um compromisso com os pequeninos pássaros.
Neste exato instante, aprendi a lição do que era um compromisso. Eu tinha me compromissado em fornecer a água. Quebrei o compromisso. Uma criança de 8 anos me
ensinou esta lição.
Por algum, tempo ministrei vários cursos sobre Ovinocultura aos alunos da Faculdade de Zootecnia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Sempre contava esta história do “compromisso”, que aprendera com meu sobrinho, com a intenção de imprimir nos jovens estudantes o compromisso com seus pais, com a profissão, com a vida…
Tempos atrás, estava tomando um cafezinho no Café Paris, em Balneário Camboriú, quando alguém me bateu nas costas:

– Lembra de mim?
– Não! – respondi meio sem jeito.
– Participei de um curso que você deu na Faculdade…
– Sim…sim! Faz algum tempo.
– Pois é… Aquela história do compromisso me marcou. Vou carregá-la para toda a vida!
– Eu também! -respondi.

Assim termino esta crônica com a acertiva do comentário de uma criança que foi para mim uma grande lição! E para muita gente também! Como falei no início, o aprendizado pode estar nos momentos mais inesperados e inusitados…
Compromisso é compromisso!
Ao afilhado Juliano, meu abraço! Valeu!

Leia a crônica de número 100, publicada aqui no blog: E agora?
Leia a primeira crônica publicada do blog: Mundo cão
Crônicas recomendadas: A vida é uma arte de encontros… ; Aquele homem
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