Cumplicidade feminina

João Marcos

A cumplicidade é muito forte entre as mulheres. Desde a mais tenra idade…
É impressionante o sinergismo mental protecionista que existe. Na crônica “O Bocejo”, os comentários feminino, que aliás, nem conheciam a protagonista da história, a defenderam com tanta convicção e segurança como se fossem grandes amigas de longa data. Cumplicidade explícita! Total!
Nos anos 90 nossa filha Ameli estudava no Colégio Master em Ponta Grossa…

Dia 7 de abril, feriado municipal, aniversário de Palmeira. Na noite do dia 6, uma terça-feira, grande baile no Clube Palmeirense. Lembro que foi a orquestra Cassino de Sevilha que animou a noite. Hoje, as orquestras viraram bandas.
Terno e gravata para os homens e vestido longo para as damas. Elegância marcante e pomposa da época, muito rara, quase extinta nos dias de hoje.
Lá pelas tantas saí pelo clube procurando pela Ameli. Falei com várias amigas suas, pelo menos umas cinco, perguntando por ela. E as respostas, não exatamente na mesma ordem, foram estas:

– Tio, ela passou agorinha mesmo por aqui…
– A vi dançando…
– A Ameli? Está no toalete retocando a maquiagem…
– Estava com umas amigas no bar do clube…

Até pastel a viram comendo. Nenhuma se referiu que pudesse ter saído do clube…
Pois bem, voltei para a mesa e falei para a Sonia:


– Não encontrei a Ameli. Mas ela está por aí. Todo mundo a viu.
– O quê? Você está louco? Bem sabe que ela não veio ao baile. Tem uma prova amanhã cedo!
– Sim. Sei disso.
– Quem não sabe que ela não veio ao baile são as suas amigas…

Crônicas recomendadas: O bocejo… ; Infelizes para sempre
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