Depressão!

João Marcos

Setembro Amarelo é alusivo à depressão. Uma doença que acomete 5% da população mundial, ou seja, 382 milhões de pessoas . No Brasil, quase 6%, o equivalente a 12 milhões de pessoas.
Eu faço parte desta estatística há muitos anos. Dizem os psiquiatras que ela advém de algum trauma muito grande. A bioquímica cerebral se altera e desestabiliza os neurotransmissores cerebrais como a serotonina e outros. Mas esta parte médica fica para os médicos.
Falo aqui da depressão na forma coloquial, até porque convivo com ela e meu relato poderá ser benéfico para alguém. Assim espero.
A depressão tem cura? Tem sim! Ou com um tratamento certo é adequado conviver com ela.

Pronto, isso já é um bom sinal. Mas alguns tópicos precisam ser abordados para que a saúde se restabeleça. Em muitos casos a medicação tem que ser tomada por alguns anos, que é o meu caso. Em outros o tratamento pode levar alguns meses.
O certo mesmo é seguir a orientação e o acompanhamento do médico psiquiatra, ou do psicoterapeuta, especialistas no assunto. Não dar ouvidos às pessoas leigas, que com o intuito de ajudar só atrapalham. A psicoterapia com especialista na enfermidade, faz parte do tratamento com resultados excelentes, até a cura definitiva. Cada um é cada um. O que é muito bom para uns, às vezes, nem tanto para outros.

A sintomatologia desta doença confunde muito com outras doenças mentais, daí a necessidade da consulta com um bom especialista. Não podemos confundí-la com as alterações de humor que temos cotidianamente, como a tristeza, baixa autoestima, indecisão, provocadas por um desapontamento, lembranças desagradáveis, que são situações passageiras e não necessitam de tratamento.
Muitas vezes a depressão se instala sem motivos aparentes, sem pedir licença nos invade e causa um transtorno devastador.
Muitas pessoas acham que por ser um problema mental, a depressão é frescura, ou falta de religião, de oração e outros. Não é não. Dia destes vi um vídeo do padre Fábio de Melo e uma entrevista na tv, sobre a sua depressão. Se fosse problema religioso, certamente ele não a teria. Esta famigerada doença não escolhe religião, situação financeira, cultural, idade, sexo, ou qualquer classe social ou ambiental.

Ela chega de mansinho ou de repente e vai dominando a gente. Nos fragiliza tanto que nos deixa enclausurados num quarto, sem vontade de ver ninguém, de tomar banho, de atender telefone, etc. A vida vai ficando sem cor e uma tristeza imensa se instala. Altera-se toda a rotina da vida, sendo porta de entrada para pensamentos negativos, e quando não tratada, muitas vezes o depressivo vê no suicídio a única saída.
Não é só o depressivo que sofre com ela, mas toda a família também. Uns acham que é frescura pura, sugerem ler livros de autoajuda, a ter pensamentos positivos, ou ser mais forte que ela. Dizem para você reagir, ter força de vontade, mas não adianta. Ela é dominante e nos torna um farrapo de gente.


Estes conceitos errôneos fazem muito mal ao doente, que cada vez mais se isola para não ser alvo de chacotas e dos conselhos dos desavisados.
E os conselhos não param aí. Mandam você ir dançar, ouvir música, viajar e outras “terapias” que fazem muito bem só para quem está bem.
Eu sempre digo, que se você estiver com uma dor de dente, por exemplo, indo ao cinema ou à praia, a dor passa? Obviamente que não! Com a depressão, também não. É até pior, porque o convívio com outras pessoas incomoda muito, e o doente vai perdendo a sociabilidade e o instinto gregário.
Os remédios antidepressivos começam a fazer efeito mais ou menos 21 dias do início do tratamento. Como este tempo é demorado, o paciente se torna impaciente, achando que o remédio não é o adequado ou que a sua depressão não tem cura.

Após este período a pessoa começa a melhorar, toma o remédio por mais 9 dias que são os comprimidos restantes da caixa e por sentir-se bem, acha que está curada e para com a medicação e com o tratamento. Pronto, recaída braba. A doença volta e os sintomas se acentuam, por isso, deve-se seguir a orientação do médico e do psicoterapeuta.
A vergonha, o desconhecimento e o desinteresse das vítimas e de seus familiares e amigos em tratar o problema, são catalisadores que precisam ser combatidos, para que o suicídio não seja cometido.
Que o Setembro Amarelo venha para quebrar tabus, esclarecer, conscientizar e estimular a prevenção para reverter situações críticas como as que nós estamos vivendo!
Viva o amarelo!!

Crônicas recomendadas: Setembro Bíblico ; Novembro Azul
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