E agora?

João Marcos

A língua portuguesa tem, entre outros fatores complicadores, um que realmente desconcerta qualquer pessoa. Tanto para os iniciantes da fala, quanto para os estrangeiros ou para nós mesmos que já estamos acostumados com estes caprichos linguísticos.
Lembro bem quando com meus 7 anos viajávamos ao litoral do Paraná, quando meu saudoso pai apontou com seu dedo indicador e com os olhos distantes no horizonte exclamou:

– Vejam… lá está a Serra do Mar!

Confesso que, com olhos de lince, procurei a tal serra e o tal mar e nada encontrei. A confusão mental estava instalada. Eu só via uma grande montanha. Somente depois de muito tempo fui saber que a Serra do Mar é uma cadeia de montanhas que se estende desde o litoral do estado do Rio de Janeiro até o norte do estado de Santa Catarina.
Dito isto, a história de hoje aconteceu com a netinha Caterina que completara recentemente os seus 2 aninhos.
Estávamos na praia, quando perguntei se ela gostava de milho verde. Balançando a cabeça para os lados, entendi que não.

– Você já provou o milho verde?-insisti.

Novamente com os movimentos da cabeça respondeu negativamente.
Não satisfeito, peguei-a no colo e fui até a banquinha do milho.

– Veja aí, é gostoso, prove um milho verde.

Ela me olhou e disse:

– Milho amarelo!

Bem, ela tinha razão, o milho verde é amarelo.
Esperei um pouco, tomamos uma água de coco e voltei…

– Que tal um milho amarelo?

Me fitou com seu perspicaz olhar e disse:

– “Quéio” um milho azul!

Desisti.

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