Horóscopo…

João Marcos

Esperando o ônibus que sempre tomava, ele olhou o relógio. Eram 18 horas em ponto ou sem ponto, como queiram. Com o jornal debaixo do braço ele sorria para dentro porque seu horóscopo dizia que ele teria uma noite de surpresa amorosa. Era tudo o que precisava.
Para variar o ônibus lotado e o habitual empurra-empurra para saltar oito pontos depois. Na terceira fila de cadeiras, aquela que poderia ser a mulher, a do horóscopo. Mulherão como dizem os observadores. Ele agora bem na sua frente. Trocaram olhares. Seria coisa do destino? Ao seu lado um senhor que parecia muito nervoso e visivelmente cansado.

O mulherão, educadamente compadecida, ofereceu seu lugar ao sôfrego velhinho. Ficara de costas ao seguidor de horóscopos, segurando-se na barra acima para se equilibrar. Suas mãos tateavam as mãos dele, e em cada balanço do ônibus, se encostava no rapaz, que ficava constrangido, excitado e perturbado, pois poderia ser acusado de assédio moral. Mas era explícita a provocação. Era um assédio intencional! Pode isso, Arnaldo? Pode sim! Assim pode!
Ele com os hormônios borbulhando misturava o desejo com o medo.

Enchia a cabeça de frivolidades para acalmar seus impulsos e desviar do momento, mas seus olhos escaneavam os detalhes esculturais da moça. Ela sentia o que ele sentia e suava frio. O horóscopo tinha razão!
O contato dos corpos a cada balanço aumentava os batimentos cardíacos e seus impulsos eram substituídos pelos desejos incontidos, mas consentidos. Sua mão correu sozinha, abusada, pelas pernas da moça. Ela esqueceu-se do mundo ao seu redor. Tentou disfarçar o que sentia. Em vão. Era pura emoção!

Ele desceu do ônibus quatro pontos depois donde deveria ter saldado, acompanhando e conversando com a garota.
Combinaram tomar um chope num barzinho próximo, que tinha música ao vivo com um violonista que cantava MPB da melhor qualidade. Um ambiente finamente decorado à meia luz, completava aquele encontro.


Alguns chopes depois, o clima estava perfeito, o horóscopo acertara em cheio! Completariam o casual e apaixonante encontro no apartamento dela. O calor do ambiente e dos corpos ardentes pedia um banho para uma melhor performance.
Ele foi primeiro. Ao se ensaboar e com o vai e vem do sabonete, não conteve seus impulsos e milhares de espermatozoides escorreram pelos azulejos se misturando ao sabonete e ao shampoo. Escorreram pelo ralo em busca de um óvulo que jamais encontraram.

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