Crônica das Sextas
Compartilhar

Mosquitinho!

Lembro que era uma noite primaveril, temperatura amena, luar sorridente... Corria o ano de 1967. Jovens impetuosos, horm..

João Marcos - 13 de julho de 2018, 05:07

Photo credit: Hugo Chinaglia on Visualhunt.com / CC BY-NC
Photo credit: Hugo Chinaglia on Visualhunt.com / CC BY-NC

Lembro que era uma noite primaveril, temperatura amena, luar sorridente... Corria o ano de 1967. Jovens impetuosos, hormônios que transbordavam, amigos reunidos numa baita sexta-feira, dia internacional da gandaia! A ideia era uníssona. Aonde vamos hoje? E os tridentes neurais espetavam os pensamentos. Alguém disse, “Mosquitinho, Paranaguá!”. Aprovado e aclamado por unanimidade, sem embargos declaratórios ou infringentes, descemos a Serra do Mar em companhia da lua que nos observava...

Mosquitinho era o nome genérico da boate Blue Star, na centenária Paranaguá! Famosa por seus shows e strip a cada meia hora. Brilhante ideia! Eita!

ANÚNCIO

Entre uma cuba libre e outra, apareceu o Cury, amigo e proprietário do Posto Horizonte, em Curitiba, na Rua Comendador Araújo. O Cury não existe mais, mas o posto permanece lá, na esquina com a Rua Brigadeiro Franco. Hoje está sendo reformado.

Lembro aqui que os protagonistas desta história, o saudoso Renê, o Ernesto, o Albary e eu, éramos solteiros na época!

Às 2 da matina, o show mais esperado! Entra no palco uma mulher lindíssima, sorriso monalístico, corpo delineado como as curvas da Serra do Mar e começa uma dança sensual. Em cada volta no palco, tirava uma peça da roupa! Os aplausos aumentavam...

Ao meu lado direito, o Cury cochichou no ouvido.

ANÚNCIO

- Eu a conheço, é minha amiga, quer que eu te apresente?

- Brincadeira tem hora, amigo. Isto aqui é coisa séria.

- Quer que eu te apresente, ou não?

- Sério mesmo? Já que insiste...

Terminado o show, o velho amigo convida aquele pecado de mulher, a bela moça para sentar-se em nossa mesa. Apresentações feitas, todo mundo olhando, os amigos de longe faziam gesto de não acreditarem no que viam. Na verdade, nem eu.

Sem demora, convidei-a para dançar o bolero que embriagava a alma e alimentava os neurônios pecaminosos. Riscamos o salão em todos os quadrantes, logicamente para eu expor aquele lindo troféu, o meu par! O coração batia mais forte, ritmado, acelerado...Os desgraçados dos neurônios com chifres, rabos e tridentes estavam em festa, me cutucavam sem parar. Era tudo que queriam! E eu também!

Rosto colado, respiração ofegante e outras coisas mais... senti algo estranho, aliás, muito estranho e fiquei um tanto confuso e perplexo. Não é possível, não acreditava.  Na mesa, o safado do Cury, ria muito.

É isso mesmo o que você está pensando. A linda moça era um “traveco”! “Cacilds”!!!! Caí nessa.

Agora, quando desço ao litoral, ou mais especificamente a Paranaguá, a primeira coisa que ponho no carro é um spray repelente!

Mosquitinho nunca mais!

Crônicas recomendadas: Pura sedução ; Não errei o presente - Parte 3

Curta, compartilhe e siga-me no Facebook

Curta a página da editora Mérula