Não errei o presente – Parte 3

João Marcos

A metade dos meus neurônios veste Prada. Estes neurônios são vermelhos, possuem rabo, têm chifres e usam um tridente. Adoram as altas temperaturas!
A outra metade possui asas. E estes, flutuam sobre as nuvens, tocam flautas e harpas. Uma auréola sobre a cabeça os identifica como anjos.
Aí é que está. Quando a turma que veste Prada está alvoroçada, ninguém a segura. O equilíbrio anjo/diabo vai pro espaço. Eles são dominantes e possessivos.
E eu, sou refém deles. Estão comigo desde sempre. Fazem parte do meu genoma. Estão no meu DNA!

Esta tribo de tridentes fez-me voltar àquela loja. A morena estonteante cheia de predicados pecaminosos, obviamente era o motivo.
Guiado pela força maior dos diabólicos e pervertidos neurônios, fui até lá. Fui recebido com um sorriso maroto! Oba!
Papo vai, papo vem, entreguei o bilhete que havia escrito, ”que tal um jantar hoje?”. Ela afirmou sutilmente, em um gesto com a cabeça. Não preciso nem dizer da alegria dos diabinhos neurais!

Senti umas fisgadas no braço esquerdo. Era um neurônio anjo que me cutucava com sua flauta.
Lentamente abri os olhos e vi o carpule e a mangueirinha do soro que estava terminando. E a minha história também.
Pois é… eu ainda estava no hospital. Tudo não passou de um sonho.
Uma certeza eu tenho, não sou só eu que tenho os diabólicos neurônios. Não é? Hehehe…

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