Nick… O amigo de quatro patas

João Marcos

Uma convivência de 18 anos não são 18 dias ou 18 meses. São longos 18 anos.
​Tal qual uma criança na sua infância, são as peraltices pertinentes à idade. Tudo novidade, pegar a bolinha e trazer na boca, correr livremente pelo quintal, se rolar na grama, ser o primeiro a entrar no carro para passear… Todas estas coisas de quem tem a vida inteira pela frente. A alegria de viver! E de alegrar nossas vidas também!

​Depois a fase da juventude, onde a puberdade manifesta a explosão de hormônios com seus instintos animais. Iguais a gente.
​Época de exibicionismo, postura de galã, para conquistar a parceira. E com a mordomia de um Berlusconi, pois traziam aqui em casa as namoradas para o acasalamento. Deixou alguns filhos. Lindos! Sei que a hora que for vê-los, lembrarei dele!
​Passada a fase juvenil, a velhice… Comportamento de um ancião. Mudanças de hábitos alimentares, limitações de movimentos, mais cuidado da nossa parte e mais atenção com o amigo. Poucas brincadeiras, passos mais lentos, mais horas de sono, valores que foram se alterando assim como na vida da gente. A idade avançada trouxe consigo a cegueira, a perda da audição e a diabetes também. Nossa atenção e carinho ficam redobrados.

​Nos seus últimos dias, o mantive sedado, para que nenhum sofrimento sentisse.
​Sempre que falávamos pela internet com nossos filhos, tínhamos que mostrar o Nick. Sempre que eles vinham para casa, ele era o primeiro a recebê-los. Passava na frente de todos e fazia sua saudação canina.
​Hoje um vazio. Ele está fazendo muita falta. Tristeza intensa de quem perde um amigo…Fora enterrado no fundo do quintal aqui de casa. Coberto em um pano branco. Como sempre, tivemos com ele um tratamento respeitoso. Fazia parte da nossa família.

​Havia muito tempo, nossos filhos saíram de casa. Estudos, trabalho, rotina normal do mundo contemporâneo. Mas o Nick ficou. Era nossa companhia de todos os momentos. Sentia a dor que sentíamos e transbordava de felicidade com nossas alegrias. Até ficava com febre quando um de nós estava doente. Dividia a dor do amor quando da separação dos namoros dos filhos. Interagia com todos nós. Falava com o olhar. Acredito que quem não entende o olhar de um cachorro, jamais vai entender os seus latidos. Era uma cumplicidade total. Fidelidade canina mesmo.
​Muitas passagens temos para contar. Qualquer dia escreverei algumas. Ele nos deixou muitas histórias. Hoje o temos em nossa memória.
​Saudades dele!


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