Nome mais que certo!

João Marcos

Está crônica é patrocinada pela Mérula – Estúdio de Ilustração e Editora.

Nas caminhadas matinais e às vezes nas vespertinas também, eu avistava de longe aquela canoa que estava na praia de costas para a ilha das cabras e de frente para o badalado Chaplin Bar, em Balneário Camboriú.
Chamava-me a atenção que a canoa nunca estava apoitada, segura por uma âncora ou coisa assim. A maré enchia e as ondas carinhosamente a devolvia ao mar. Ficava à deriva. Penso que alguma corrente marítima a encostava na sua paragem, na ilha. E, obedientemente ela ficava ali. Por desconexo que seja, era uma nau sem rumo, à deriva, que sozinha sempre voltava ao endereço certo.

Os ambulantes da orla conheciam bem o morador solitário da ilha, o dono da canoa. A história sempre se repetia… Ele saía da ilha na maré vazante para aproveitar o fluxo das águas, assim, remava pouco. Ao encostar na praia, deixava a canoa na areia e ia às compras de mercado, pois logo voltaria, daria tempo de chegar antes da maré enchente. Mas, sempre enroscava num boteco e daí já viu, né? A maré enchia e levava sua canoa.
Um dia, me aproximei para ver o que tinha dentro. Mera curiosidade. Vi os remos, a poita, uma lata vazia para tirar a água e alguns objetos mais.

Todos sabemos que as embarcações têm um nome escrito no lado externo da proa. É a identidade do barco, lancha, veleiro, navio, e até mesmo da canoa. Penso que seja uma normativa da Marinha do Brasil.
Bati em retirada, continuando minha caminhada praiana. Quando, de repente, lembrei que não li o nome da proa. De onde eu estava já não enxergava mais. Voltei para matar a curiosidade e fiquei surpreso. Ri muito! Com letras em forma de garrancho estava escrito: “A Fujona”.


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