O Diogo, o Eloi, e a vaca.

João Marcos

Vi no Facebook uma foto, que entre outros, estava o Diogo Capraro. Lembrei com saudade do grande e velho amigo! Fomos companheiros de muitas madrugadas, serenatas, e de copos também. Éramos brahmeiros juramentados!
O Diogo dedilhava bem o violão, era um cantor muito afinado e seu repertório era ímpar. Tinha a boemia na alma e nas veias, mas no coração, a Marli, que só a morte os separou. Abro um parênteses aqui, para enviar um afetuoso abraço e deixo também registrado minha grande estima a ela e a seus filhos, Dioguinho, Jorginho e Paulinho. Vi os três nascerem, crescerem, se formarem… A Gislaine chegou mais tarde. Nascida do coração!
Voltando ao Diogo e deixando as madrugadas de fora, era um eminente advogado. Fora vereador e prefeito da nossa cidade. Entre tantas histórias suas, lembrei desta..

Ainda não tinha chegado os anos 70… A velha e pacata Palmeira caminhava em passos lentos. Aliás, não caminhava, engatinhava. As novidades eram importadas, pois por aqui, as noticias ficavam velhas que até serem substituídas demoravam a acontecer. Hoje, muito diferente, pois a noticia da manhã já está velha na hora do almoço. A cidade cresceu…
Mas voltando à década de 1960…
Era uma madrugada fria e o Diogo ao chegar em casa, para sua surpresa, se depara com uma vaca dentro da garagem.! E bem estacionada! Os faróis da camioneta iluminaram o traseiro do quadrúpede taurino.
Num gesto impensado, ou pensado, o Diogo sacou seu trinta e oito e disparou em direção a tal vaca. Um tiro só. Era para assustar, para resgatar sua vaga na garagem.

Mas, por incrível que possa parecer, a bala foi certeira no ânus do animal. O bicho cai sem vida. Pela posição anatômica, o projétil perfurou o intestino, o estômago e acertou no coração.
Assustado, o atirador se aproximou e constatou óbito.
No frio da madrugada, sem outra alternativa, amarrou uma corda nas pernas da vaca e no engate da camioneta arrastou-a pela Rua Padre Camargo, até onde hoje se encontra o Supermercado do Celso Franco. Deixou ali a vaca com a corda e tudo.
No dia seguinte, sem querer acreditar no acontecido, levantou e rapidamente seguiu o trajeto feito na madrugada. De longe, já viu que a vaca não estava mais lá…
Mas que coisa intrigante. Onde foi parar a vaca? Será que não estava morta? De quem era o animal? Teria sido um sonho? Seus neurônios ainda tropegamente etílicos, se confundiam entre o real e o imaginário…

OBS.: Resumo da ópera: O Eloi Cherobim fazia este trajeto para ir à fábrica… Ao ver a vaca morta, com a corda nas pernas, não teve dúvidas. Arrastou-a para o açougue do armazém da fábrica e desmanchou-a em charque…
Pelas coincidências da vida, o Raul Passoni que gerenciava o açougue me contou o ocorrido.
Contei ao Diogo. Rimos muito!
O mistério da vaca não terminou. O dono nunca se apresentou. O Eloi charqueou a vaca e não deu nada ao Diogo, nem sequer um pedacinho do charque!!


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