O menino, a banana e a mala!

João Marcos


Dia destes, eu jogava conversa dentro com o Emilinho num papo descontraído, acompanhado de um Mate Leão para molhar as palavras que estavam desidratadas pelo calor primaveril.
Víamos alguns quadros na parede do meu escritório… Comentávamos os motivos das telas e dos seus pintores!
Assim como os livros, os poemas e as músicas, eles nos transportam no tempo e adentramos nas paisagens que gentilmente nos convidam para um passeio. As telas não só decoram as paredes onde estão fixadas, não obstante, têm a sua razão de ser. É um pedaço da alma do artista que as pintou.
Deus não escolhe as pessoas capacitadas para pintar, ele capacita as escolhidas. Isto chama-se dom!

Na verdade as telas são os retratos da história que ficarão para sempre contando histórias. São palavras escritas com as tintas da aquarela que dão um colorido especial aos olhos de quem as vê! Elas falam com a gente! É verdade!
Basta que você as dê ouvidos e esteja com os olhos calibrados para ver e enxergar o que elas querem dizer! Podem ser de fatos reais ou do imaginário. Cada um entra na tela conforme ela autoriza! Profundo e interessante isto!
O Emilinho contava-me que lá pelos anos de 1910 seu avô Emílio, e meu tio avô, então com 9 anos de idade de codinome Tonico, o tio Tonico, era um menino nesta época. Saía do sítio para vender bananas na estação ferroviária na pacata Morretes.

Para aumentar a renda, aproveitava para transportar alguma mala de algum passageiro… Os trocados a mais eram muito bem vindos e esta cena se repetia duas a três vezes na semana.
Este conto saiu da história e ficou registrado na memória do seu neto primogênito Emílio, que leva o nome do avô para homenageá-lo!
O tempo vorazmente vai engolindo o tempo e se passaram mais de 70 anos quando o tio Tonico teve um AVC que lhe entortara a boca e o deixara com alguma sequela na fala.
Nesta mesma época o neto Emílio num passeio dominical na feirinha do Largo em Curitiba, parou sem intenção alguma, mas atraído por alguma força em uma barraca e sem explicação, sentiu algo que lhe virara a sua cabeça para um quadro. Ficou arrepiado quando seus olhos viram aquele quadro e um filme passou pela sua cabeça.

Comprou o tal quadro. Chegando em Palmeira, fora visitar o avô acamado e mostrou-lhe o quadro. Era um quadro com um menino de calças curtas, segurando um cacho de bananas em uma mão e com a outra segurava uma mala na cabeça!
Seu avô foi tomado de intensa emoção, fitou demoradamente o quadro, olhou para o neto e entre as lágrimas que rolavam, disse: ” Este menino era eu”!

Crônicas recomendadas: A mala… ; Virgínia Brustolin de Oliveira
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