Pastel de carne

João Marcos

Na minha infância o pastel era de carne. Sempre pastel de carne. Aliás, só tinha ele. Exclusivo! Único! Acho que tenho este pastel no meu DNA.
Um dia alguém inovou a massa, colocando em seu interior o queijo. Bingo! Nascia o pastel de queijo! Adorado por muitos. Menos por mim, que mantive uma fidelidade canina com o pastel de carne. Ah! E com guaraná! Da Antárctica, obviamente. Dupla fidelidade.
Depois vieram tantos outros: requeijão, palmito, catupiry, banana… Uma infinidade. Até pastel de pizza. Este, alusivo aos desfechos dos imbróglios políticos e escandalosos do patropi.

Nosso amigo Joaquim Bastos tem uma pastelaria ali na praça, com mais de cinquenta sabores. Vale a pena! Recomendo! O “Cinquenta Tons de Cinza” fizeram sucesso. Os cinquenta sabores dos pastéis também! Mas pra mim, sempre o de carne!
Certa tarde, família toda em casa… Sugeri para o lanche o nosso amigo pastel!
A aprovação foi unânime. Falei alto e bom som:

– Pastel de carne pra todo mundo!

Exatamente aí começou um problema. Cada um queria um sabor diferente e mudavam de ideia em seguida. No meio de tanto palpite, fui decisivo e ditador:


– PASTEL DE CARNE PRA TODO MUNDO!

Constrangi-me quando vi a nora Raquel com olhar melindrado… Na mesma hora, meio desenchavido perguntei:

– Que sabor você quer?

Ela olhou-me com meias pálpebras e falou:

– Pastel de carne!

Risada geral!
Agora, sempre que alguma dúvida surge por qualquer coisa ou em qualquer situação, estamos dizendo “pastel de carne” … como que definindo e pondo um basta no assunto em pauta!
E você aí! Quer pastel? Do quê?

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