Praxedes da Vila

João Marcos

O Praxedes nasceu sem o orifício anal.

​- O quê?

​Sim… Isto mesmo. Anomalia congênita.
Caso raro na medicina, porém, na literatura médica, existem algumas matérias a respeito. Com todo o respeito.
​Nos países nórdicos estão a maioria dos Praxedes. Qual a explicação? A etiologia está em seus DNAs. Isto, dito pelos médicos e cientistas que estão mapeando e codificando o “genoma Praxedeano” para ver se encontram uma luz no fim do túnel. Se o túnel tem fim,por que os Praxedes não? São os “acuados”. Palavra que agora tem duplo sentido. Do verbo acuar e dos desprovidos anais.

​Mas o foco da história é o Praxedes.
​Praxedes da Vila, porque nascera na Vila Palmira, distrito de São João do Triunfo, cidade de gente hospitaleira, do interior do Paraná.
​Indivíduo de estatura mediana, cabelos pretos bem lisos, bigode ralo, vibrissas e cavanhaque acastanhados, não mais que duas dezenas de pelos. Para resumir, seu fenótipo é da raça bugre, outrora, habitantes das margens do rio Iguaçu.
​O Praxedes, metido a besta, tinha virado celebridade, pois colocara a Vila nas manchetes dos principais jornais e emissoras de rádios e televisões do Brasil e do exterior. Pela falta de ânus, fora citado pela medicina, em seus anais… Trocadilhos à parte, a fama estava feita.


​Uma particularidade ímpar era a coragem do Praxedes. Não tinha medo de nada. Absolutamente nada. Um cientista australiano pulou na frente de todos e descobriu o que era óbvio: “Quem tem fiofó tem medo”… O Praxedes não tem. Daí a coragem dele.
​Mas como pode? Como faz? Ou não faz? Alguns arriscam a dizer que a eliminação dos resíduos se dá por osmose. Outros pela sudorese. Mas são só suposições, ou melhor ainda, conjecturas supositórias.
​Só sei que o Praxedes da Vila está embarcando para Oslo, no próximo fim de semana. Os estudos e as pesquisas continuam. Quem sabe na sua volta traga alguma explicação. Se tiver, contarei.

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