Uni…duni…tê!

João Marcos

Eu estava esperando o elevador, quando o outro parou no meu andar. Ligeiramente entrei e só alguns segundos depois olhei aquela moça que ainda iria para alguns andares acima…
Era uma morena espetaculosa, olhar matreiro, cintura de pilão, uma morena assim, de desorganizar a paisagem. Saída de banho transparente que maliciosamente escondia um corpo escultural. Olhei discretamente e até com medo de um processo por assédio ocular. Permaneci taciturno. Ela quebrou o gelo e com um sorriso diferenciado, malicioso, puxou conversa. Eu tinha que ser rápido, afinal ela apontou. Quem aponta atira! E realmente acertou o alvo. Era tudo o que eu queria. Na verdade, não queria um pingo da sua atenção. Queria uma chuva!

A chuva foi suficiente para regar meu jardim repleto de flores encantadoras e pecaminosas. Imediatamente os diabólicos neurônios despertaram e espetaram meus pensamentos. Atacaram em grupo. São ávidos, estrategistas. Eu já vi este filme…
Cinco andares acima o elevador parou. Ponto final, ou quase.
A “bela do elevador” convidou-me para um copo d’água. O calor escaldante permitiu que eu aceitasse. Os neurônios de rabos e tridentes festejaram.
Marcamos um café com prosa para o dia seguinte…

No mesmo dia, no fim da tarde, outro encontro casual. Agora uma garota que beirava seus 40 anos, se o meu olhar clínico não me enganara. Falei clínico e não cínico.
O vento marinho esvoaçava seus cabelos. Pele bronzeada, perfumada. Tinha um sorriso monalístico. Entramos juntos em um bar, pois a chuva torrencial era eminente.
No corre-corre, esbarrei em seu braço e pedi desculpas. “Imagina”, respondeu.
Já que o mar estava para peixe, atrevidamente perguntei o seu nome. Deu-me um cartão de apresentação. Era advogada. Um pedaço de mau caminho.
À noite liguei. Ela com muita pressa e educadamente me perguntou se podíamos conversar no dia seguinte. Respondi que sim e ela marcou no Café do Ponto, no calçadão, às 17 horas. Na hora, lógico, confirmei o encontro!!

Fiquei com aquela voz sensual na cabeça, dando munição para os neurônios diabólicos.
Só depois de alguns minutos me toquei que o horário e o local do café era o mesmo da morena do elevador.
E agora, o que faço?
Uni…duni…tê…


OBS: Um colega da faculdade me contou esta história e jurou que é verdade.
Contou-me também o desfecho. Ficara com as duas e foi eletrizante!

Crônicas recomendadas: Pura sedução ; Não errei o presente – Parte 3
Curta, compartilhe e siga-me no Facebook
Curta a página da editora Mérula e aproveite para conhecer o mais novo lançamento Em volta da lâmpada mais informações entre em contato.

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook