Você decide!

João Marcos

José era uma pessoa muito conhecida na cidade onde morava. Não tinha hábitos condizentes com a ética e o civismo. Tinha sim, com o cinismo.
Mentia muito, pouca escolaridade e sempre estava envolvido em alguma encrenca, embora para ele fosse normal. O pior é que muitos acreditavam nas suas estórias. Até defendiam o rapaz.
Era astuto. Parecia uma raposa que, sorrateiramente andava na calada da noite nos galinheiros da vizinhança. Fazia um estrago devassador, assim como os invasores e os predadores fazem.

Como nunca acontecia nada, o Zé não se importava com suas ações. Prejuízos incalculáveis… Danos materiais, éticos, morais.
Pois bem…
Certo sábado houve um grande baile na cidadezinha onde morava. Lá estava o Zé, de terno e gravata falando e mentindo para os que o rodeavam. Com os olhos arregalados escutavam suas estórias, assinando um atestado de burrice em acreditar no que ouviam…
Orquestra bombando. O Zé ajeitou-se para dançar com uma linda moça. Foi em frente. Cara de pau, cumprimentou os pais da donzela e com a cabeça gesticulou o convite.

Saiu faceiro rodopiando a menina! Não sabia dançar, mas se achava. Sempre fora do ritmo, crente que estava abafando. Tinha plena convicção de que era o único certo. Porém, quando chegou ao outro lado do salão, distante do vigilante pai, o Zé aproveitou a oportunidade e maliciosamente tentou apertar e encoxar a moça. De longe, o pai da rapariga furioso observava a cena.
Ao completar a volta no salão, bem defronte a mesa dos pais, qual sua surpresa e de todos os que por perto estavam, quando seu Fernando, o pai injuriado, deu um grande soco na cara do Zé. O coitado caiu pelas mesas, derrubou as bebidas e antes de chegar ao chão, agarrou-se na cortina e veio com tudo a baixo. Sangrava muito e um hematoma já estava deformando o rosto do rapaz.

Recomposto, com um lenço, tentava estancar o sangue que não parava de jorrar…
A orquestra parou. Os olhares se voltaram a ele. Burburinho total…
O Zé, como era de se esperar, olhou para todos e exclamou:


– Caramba!!! Quase que ele me acerta o soco!!

Esta é uma estória do Zé. De muitos Zés. Estão errados. Às margens da lei e dos bons costumes, dizem e querem provar que estão certos.  Na realidade apanham e dizem que não apanham. Querem provar, mesmo com o sangue jorrando, que seu Fernando não acertou o alvo. O pior é que muitos, mesmo vendo o acontecido, ainda acreditam nele.

Obs: Esta crônica tem um endereço certo. As urnas.
Você decide!

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