Lambança na política paranaense com protagonismo de Beto Richa

Politica paranaense surpreende candidatura de Moro à Presidência da República e Richa passa a ser protagonista

Pedro Ribeiro - 20 de janeiro de 2022, 14:28

Keiny Andrade/Folhapress
Keiny Andrade/Folhapress

O esparrama, para não dizer cacaca no ventilador, partiu do Paraná e justamente do partido Podemos, onde tem, em seu quadro, os três senadores paranaenses, que deram a arrancada em busca de uma terceira via para enfrentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção, e Jair Bolsonaro, que até agora não governou o país e só arrumou confusão. A saída, sem aviso prévio, de Cesar Silvestre Filho do partido desnorteou a biruta.

O presidente do Podemos no Paraná, ex-deputado Cesar Silvestre Filho, pulou para a canoa tucana e fez água no projeto do partido que lançou o ex-juiz federal, Sergio Moro, candidato à Presidência da República em nome de um projeto novo para o Brasil. Há quem sustente que sua saída tem dois fatores: Silvestre Filho teria ficado insatisfeito com a nomeação de Agostinho Zuck na Secretaria de Desenvolvimento Urbano, porque achava que teria, ali, oportunidade para pretensões futuras rumo ao Palácio Iguaçu. Segundo, porque estaria inseguro em relação ao senador Alvaro Dias.

Assim, O PSDB paranaense, magoado com Ratinho Junior, começou a articular nas coxias e com uma intenção: fazer o ex-governador Beto Richa o mais votado para a Câmara Federal, com chances de retornar ao Palácio Iguaçu em 2026. Se o projeto de Silvestre Filho não der resultado, pelo menos servirá para desestabilizar, em parte, alguns setores totalmente dominado, hoje, pelo governador Ratinho Junior.

Quem se animou com o pé na jaca, foi o ex-senador e ex-governador, Roberto Requião, que não se conforma em estar fora do poder, seja no Senado Federal ou no Governo do Estado. Para ele, quanto maior o número de candidatos, melhor, pois se, efetivamente Lula tiver um bom palanque no Paraná, poderá compensar Requião até com um cargo de ministro. Por enquanto, todos sabem, Requião só faz espuma e será o pau mandado de Lula para atingir Bolsonaro e Ratinho Junior durante a campanha.

Requião não tem nada e quer tudo e acha que conseguirá tudo. Não quer se oficializar como petista porque sabe que há resistência, no Paraná ao PT. Quer navegar sozinho, mas ninguém o quer. E sem um partido, não vai a lugar nenhum. Aproveitará também para criticar o Podemos, pois perdeu a eleição para o então desconhecido professor Oriovisto Guimarães.

Requião ainda sonha com o PSB de Luiz Cláudio Romanelli, Alexandre Curi e Luciano Ducci. Porém, esses socialistas odeiam Requião e são amigos de Beto Richa. Querem apoiar Ratinho Junior pelo apoio da máquina, pois acham que tem reeleição garantida. Ficaram balanceados com a entrada de Silvestre Filho no PSDB. Não querem magoar Richa

Até o momento o senador Alvaro Dias, um dos mais afetados nesta confusão, não se manifestou, mas quem o conhece poderia simular que ele estaria dizendo: a banda podre da política fica enlouquecida na esperança de expulsar do seu meio os que adotam postura ética. Posso até estar enganado mas, como o conheço e acompanho seu trabalho, me arrisco a afirmar o que escrevi.

Com a baderna instaurada no Podemos que se reunirá dia 25 em Curitiba para eleger novo presidente da Executiva estadual, quem esfregou as mãos foi o deputado Guto Silva, pois acha que suas pretensões ficaram mais fortes ao Senado Federal. Mas como dizia um velho amigo, “o jogo é jogado e o lambari é pescado”, Alvaro Dias poderia lançar o senador Flávio Arns ou mesmo Deltan Dallagnol como candidatos ao Governo do Estado e se manter como forte candidato à reeleição. Um risco: para Ratinho, um possível segundo turno e para Alvaro, possibilidade de perder a eleição.

Mas, como na política o fator surpresa sempre aparece na última hora, Silvestre Filho e Arns teriam grandes chances de irem para o segundo turno, apesar de pouco apoio, estrutura e tempo de TV. Segundo um ex-deputado federal que acompanha de perto da política paranaense, talvez uma aliança entre os dois garantiria um segundo turno forte. Essa composição seria difícil porque pode esbarrar em dois lados: Richa e Alvaro, que tem posições políticas conflitantes.

Ratinho Junior, por enquanto, só assiste. Deverá se incomodar se a água começar a bater próximo do nariz. O governador tem que ter oposição para justificar sua vitória e dar continuidade ao seu projeto político.

PT já se vê no o Palácio do Planalto

Sobre as eleições à Presidência da República, notamos que o presidente Jair Bolsonaro, embora desgastado ou derretendo, como dizem, mantém sua candidatura e aposta nos 25% de fanáticos – grande parcela da igreja evangélica – que querem a sua continuidade, principalmente porque veem risco de Luiz Inácio Lula da Silva voltar ao poder.

Quanto a Lula, seu partido, o PT, já acha que ganhou as eleições, o que não é verdade. Ainda há uma rejeição muito grande ao PT devido aos casos que vieram à tona, com o Petrobras, Mensalão e outros arrastados pela então Operação Lava Jato.

Sergio Moro, individualista, a cada dia em que se manifesta observamos um pé atrás do eleitorado, fora seu próprio partido, na Câmara dos Deputados, que não o querem como candidato à Presidência da República. Hoje com 9% nas pesquisas, vai ter que suar muito a camisa, colocar ordem na casa no Paraná e trabalhar muito, buscando apoio de João Doria e do próprio Ciro Nogueira.