Manifesto dos jogadores da seleção é uma nota de repúdio do Rodrigo Maia

Vinicius Cordeiro


O afastamento de Rogério Caboclo foi o que bastou para amenizar a revolta dos jogadores (e da comissão técnica) da seleção brasileira. Sem chances de Tite ser demitido por política neste momento, todos abaixaram o tom contra a realização da Copa América no Brasil e direcionaram a crítica para a Conmebol.

O manifesto dos atletas é como uma nota de repúdio de Rodrigo Maia. Desagrada o Twitter e todo mundo segue a vida.

O trecho mais que destaco é o seguinte: “Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional…”.

Isso é totalmente contra o que Casemiro falou de “elenco unido”, “posição única” naquela catarse de um não posicionamento. Erramos.

É bastante lógico que existem divergências entre os jogadores. Nem precisamos conhecê-los pessoalmente.

Neymar não deve querer disputar a Copa América porque sabe que é um Estadual da amarelinha. Com Tite, o Brasil virou o bicho-papão do continente, não dá chance para qualquer rival. Os Jogos de Tóquio acontecem daqui um mês. Jogar as duas competições não dá, dificilmente o PSG aceitará. Imagina ser o cara do bi no Japão… Bem melhor do que faturar mais uma Copa América.

Alisson perdeu o pai no início do ano em uma tragédia. Certamente o goleiro do Liverpool deseja um tempo com os familiares no Brasil, coisa que não teve até agora.

Já Richarlison, o único que se posiciona politicamente nas redes sociais, deve ser contra a Copa América devido à pandemia. Deve existir mais um ou dois ali com o mesmo pensamento. No entanto, todos sabemos o quão difícil é ter uma posição clara por parte de celebridades. Não deveria ser assim, mas é. E o discurso do zagueiro Marquinhos reforça justamente isso: “Se alguém quiser se posicionar politicamente, que faça em casa, em seu momento pessoal, não com a camisa da Seleção”. Um banho de água fria em alguns entusiastas.

No fim das contas, o único que poderia surpreender com um posicionamento mais enfático seria Tite, que virou alvo dos bolsonaristas. Contudo, todavia, entretanto, parece que evitar novas turbulências é melhor para o trabalho (e para a imagem).

Dito tudo isso, domingo que vem tem Brasil x Venezuela em Brasília. Em meio ao calendário do futebol brasileiro, já que as Séries A, B, C e D vão rolar normalmente.

É a festa tupiniquim.

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