SUICÍDIO E SUA ESTREITA LIGAÇÃO COM O ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS E DEPRESSÃO

Piti Hauer


 

Quando está escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
(Paralamas do Sucesso)
É irônico e lamentável que certas coisas tenham que tomar proporções que escapem ao controle para darmos atenção ao O QUE está acontecendo. Ou não damos a atenção devida ou o viés é de “divertimento”. Foi assim em relação ao crack em seu início, quando a imagem de usuário era de nóia, vagabundo, pobre que incomoda  e havia a ideia de que logo iria morrer e não mais importunar a sociedade. Essa esguelha vesga também aconteceu com a depressão que era vista como um comportamento mimado, uma tristeza um pouco mais acentuada ou como doença de rico e de quem não tinha nada o que fazer. Bem, não é e foi nada disso…os anos nos revelaram algo bem mais profundo e de dor.
A depressão até 2020, isso mesmo, ano que vem, será a doença mais incapacitante do mundo, no Brasil em 2016 mais de 75 mil trabalhadores foram afastados de seus empregos em decorrência deste distúrbio e, enquanto que a média mundial é 4,4%, no Brasil 5,8% da população sofrem deste mal (Fonte: Relatório OMS 2015). Quanto ao crack, álcool e outras drogas, inclusive medicamentosas, alguns índices são mais do que preocupantes: cerca 3% da população mundial é dependente de drogas ilícitas, segundo o  relatório Global status report on alcohol and health 2018 3 milhões de pessoas morreram por causa de uso nocivo do álcool em 2016 sendo 28% resultado de lesões, como as causadas por acidentes de trânsito, autolesão e violência interpessoal, 21% se devem a distúrbios digestivos, 19% a doenças cardiovasculares e o restante por doenças infecciosas, câncer, transtornos mentais e outras condições de saúde. Estima-se que mais de 2,3 bilhões de pessoas consumam álcool atualmente.
E o que o álcool, drogas e depressão tem a ver com o suicídio? Muito, a começar que ao término de leitura dos dois primeiros parágrafos uma pessoa no mundo já se suicidou, e mais outra irá se suicidar quando acabar essa leitura. São 800 mil casos de suicídio em todo o mundo (quase 12 mil somente no Brasil), 1 a cada 40 segundos e dois terços destes suicídios resultantes da depressão e o uso de álcool e outras drogas. E, ainda, para cada caso consumado outros 20 foram tentados (Fonte: OMS). Os meios mais comuns de suicídio são envenenamento, enforcamento e armas de fogo e a proporção é de 4 suicídios masculinos para um feminino.
Preconceito e falta de informação adequada são duas circunstâncias que podem agravar o caso de suicídios, por isso não é coisa de doido a pessoa ou familiar consultar um Psicólogo ou Psiquiatra, estamos em uma era que o conhecimento é preponderante para evitarmos possíveis reveses. Alguns sinais de alerta para uma tendência suicida: tristeza excessiva, isolamento, falta de interesse pela vida, alterações bruscas de humor, eventos estressantes, uso de álcool e outras drogas e alarmes verbais, por isso sempre considere quando a pessoa fala “essa vida é uma m%$#@”, “não sei o que estou fazendo aqui”, “vou me suicidar” entre outros, são formas do doente pedir ajuda.

 

Portanto, ao contrário daquelas pessoas que vivem no período jurássico, pensando e falando pérolas de ignorância de que não se deve gastar em prevenção, informação correta e tratamento, tanto em Políticas Sociais, de Saúde, de Urbanidade Saudável e em Políticas Públicas sobre Drogas, direcionando seu interesse apenas a tonalidade cinza do cimento excludente ao invés de espaços de convivência humanizados, não se iluda… depressão, dependência química, uso abusivo de drogas e suicídio estão mais próximos do que se imagina!
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Piti Hauer
Presidente da Comissão de Políticas sobre Drogas da OAB-PR. Vice-presidente no Conselho Estadual de Políticas Públicas sobe Drogas do Estado do Paraná representando a OAB-PR. Especialista em Dependência Química pela UNIFESP. Professor na Faculdade Bagozzi. 1° Vice-Presidente da Fepact - Federação Paranaense das Comunidades Terapêuticas.