Ação civil pede transferência de pacientes com Covid-19 de Cascavel para outros estados

Redação

Ação civil pede transferência de pacientes com Covid-19 de Cascavel para outros estados

Uma ação civil pública pedindo a transferência de pacientes com Covid-19 de Cascavel, na região oeste, para outros estados do país foi ajuizada nesta quarta-feira (3) pelo MPF (Ministério Público Federal) e o MPPR (Ministério Público do Paraná).

Com pedido de tutela de urgência, a ação tem finalidade de que a União e o Estado do Paraná providenciam a transferência de pacientes que aguardam vagas em leitos de UTI e enfermaria na região oeste. A União e o Governo do Paraná tem um prazo de 48 horas para se manifestar sobre a ação civil pública.

Segundo consta na petição, o sistema de saúde da macro região oeste do Paraná colapsou, “encontrando-se em situação bem mais calamitosa se comparada com o restante do Estado”.

NA TERÇA-FEIRA (2), 81 PESSOAS INFECTADAS PELA COVID-19 AGUARDAVAM LEITOS NA MACRO REGIÃO OESTE

De acordo com dados do MPF, na terça-feira, 2 de março de 2021, a região macro leste (Curitiba) tinha 51 paciente confirmados/suspeitos de contaminação com covid-19 aguardando leitos, sendo que havia 50 vagas para recebê-los; a região macro noroeste tinha 22 pessoas confirmadas/suspeitas precisando de leitos e 32 vagas disponíveis; a região macro norte tinha 30 pacientes nessa situação e 32 leitos vagos.

Já a macro região oeste, que responde por mais de dois milhões de pessoas, eram 81 pessoas precisando de vagas para internação sendo que havia apenas seis leitos vagos.

No último mês foram abertos 47 leitos de UTI Covid-19 na região, mas conforme o MPF, eles foram insuficientes. O Hospital de Retaguarda de Cascavel, feito para atender 20 pessoas na UTI estava com 27 internados, sendo que 25 se encontravam entubados. Já a enfermaria, cuja capacidade máxima é de 28 pacientes, estava recebendo 44 pessoas.

Ontem, o Governo do Estado anunciou que nos próximos dias serão abertos em Cascavel mais 32 leitos – 22 leitos unidades de UTI e 10 de enfermaria.

“Se alguém contrair o vírus e a doença se agravar, provavelmente não vai ter leito disponível, não vai ter respirador suficiente para atender a demanda, nem equipe médica. A chance de vir a óbito é muito maior”, afirmou a procuradora da República em Cascavel, Andressa Caroline de Oliveira Zanette.

MPF E MPPR PEDEM TRANSFERÊNCIA DE PACIENTES COM COVID-19 DE CASCAVEL

Na ação ajuizada foi determinado que caso não seja possível executar a transferência de pacientes com Covid-19 de Cascavel, que seja realizada a implementação de um Centro de Referência Emergencial e Provisório, com estrutura de UTI e enfermaria. Caso os réus descumprem as medidas, uma multa diária de R$ 1 milhão será aplicada.

A procuradora da República em Cascavel, Andressa, fez um apelo para que a população tenha consciência do caos que a região vive. “Ninguém quer ser impedido de trabalhar ou de circular, porém a população precisa entender que está enfrentando algo que facilmente pode levar à morte.”

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Brasília, de Cascavel, precisou ser fechada para novos pacientes com Covid-19 na noite do dia 2 de março pela falta de leitos e capacidade técnica.

Conforme informações da Prefeitura, estavam no local no momento da lotação: 14 pacientes intubados, cinco em processo de intubação e 40 pacientes internados em leitos de enfermaria. “É humanamente impossível receber qualquer novo paciente”, descreveu Thiago Stefanello, secretário municipal de saúde.

No último domingo, 28 de fevereiro, a ocupação de leitos exclusivos de UTI/SUS para covid-19 em adultos na macrorregião oeste do Paraná atingiu 98%. Neste dia, haviam disponíveis apenas quatro leitos.

Ontem o Paraná registrou mais 118 mortes e 4.666 casos novos de Covid-19. A taxa de ocupação dos leitos de UTI dos SUS para adultos subiu de 92% para 93%. O Estado tem mais de 4 mil pessoas internadas, o maior número desde o início da pandemia.

No total, o Estado acumula 656.410 casos confirmados e 11.888 mortes por complicações da doença. Segundo a Sesa, o Paraná registrou alta de 48,5%, em duas semanas, na média móvel de casos.

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