Chuva causa aglomeração na fila da vacinação contra a covid-19 em Curitiba

Vinicius Cordeiro

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A fila dos profissionais de saúde de Curitiba que aguardavam pela primeira dose da vacina contra a covid-19 ficou marcada por aglomeração nesta quinta-feira (28). A primeira etapa da vacinação foi concentrada pela SMS (Secretaria Municipal da Saúde) no pavilhão do Parque Barigui, um dos principais pontos turísticos da cidade.

“Houve aglomeração no momento que começou a chuva. Até então, as pessoas estavam na fila e respeitando o distanciamento. A Guarda Municipal tentou organizar uma fila embaixo da marquise e as pessoas não respeitaram o distanciamento”, relata Margaret Born, terapeuta ocupacional do Hospital de Clínicas e que esperou uma hora para receber a primeira dose da CoronaVac.

Um vídeo gravado pela repórter Grasiani Jacomi, da CBN Curitiba, mostra diversas pessoas desrespeitando o distanciamento recomendado pelas autoridades sanitárias na fila.

A Secretaria afirma que houve inconsistência no sistema eletrônico que faz o agendamento da vacinação. Além disso, também apontou que mais de 50% dos profissionais de saúde convocados para serem vacinados ontem (27) não compareceram.

APESAR DA FILA, PROFISSIONAIS ELOGIAM ORGANIZAÇÃO NO PAVILHÃO

Profissionais da saúde ouvidos pela reportagem afirmaram que foram chamados para serem vacinados, mas que podiam escolher entre comparecer hoje, nesta sexta-feira ou no sábado.

“Eu fui convocada, poderia ser hoje, amanhã ou sábado. Preferi ir hoje”, conta a fisioterapeuta Ana Angélica Tsingos Ramos, que atua no Hospital de Clínicas. Apesar da fila, ela elogiou a organização da prefeitura de Curitiba e disse que o processo foi rápido a partir do momento do primeiro atendimento.

“Foi surpreendente pela organização e rapidez de como tudo ocorreu. Havia uma fila grande, mas andou bem rápido pela quantidade de pessoas. Chegando na porta, a gente foi prontamente indicado. Foi tudo muito organizado, com os boxes da vacinação separados”, aponta. Por fim ela, ainda relatou que a segunda dose da CoronaVac está previamente marcada para meados de fevereiro, em pelo menos 20 dias.

Outro profissional que demorou cerca de 20 minutos na fila foi o Cauê Dias Braga de Faria, auxiliar de enfermagem no Hospital das Nações. Ele recebeu a vacina há dois dias, mas também elogiou o esquema montado pela SMS e segue no aguardo da segunda dose.

“Foi bem organizado. As pessoas que aplicam a vacina são bem atenciosas, explicam tudo. É uma estrutura bem montada. De 0 a 10, dá para se dar um 9,5”, classifica ele.

De acordo com a prefeitura, 10.537 pessoas foram vacinadas até a quarta-feira, sendo 4.345 moradores e funcionários de instituições de longa permanência; 73 indígenas; 128 vacinadores; e 5.991 profissionais dos serviços de saúde. Curitiba recebeu mais de 40 mil doses: 23.160 da CoronaVac e  20.380 vacinas de Oxford/AstraZeneca.

MP É CONTRA CENTRALIZAÇÃO DA VACINAÇÃO EM CURITIBA

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Pavilhão da Cura, Parque Barigui, local da vacinação contra a Covid-19. (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Folhapress)

Em ofício conjunto, órgãos de Justiça e Controle fizeram uma série de recomendações para a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) e para a SMS (Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba) em relação à campanha de vacinação contra a covid-19, iniciada no último dia 20 de janeiro.

Eles se posicionaram contra a campanha de vacinação centralizada em Curitiba no pavilhão de eventos do Parque Barigui. Conforme os órgãos fiscalizadores, por mais estruturado que seja o local, a escolha de um único lugar para aplicação da vacina pode ocasionar aglomerações indevidas.

Além disso, a centralização pode dificultar o comparecimento de diversas pessoas porque muitos moram ou trabalham em lugares distantes do Parque Barigui. Os órgãos também argumentam que a vacinação poderia ser melhor distribuída, ao menos em favor de outras regiões de Curitiba.

As medidas foram assinadas pelo MPF (Ministério Púbico Federal), MPPR (Ministério Público do Paraná), MPT (Ministério Público do Trabalho), pela DPU (Defensoria Pública da União) e pela DPE (Defensoria Pública do Estado). A prefeitura de Curitiba afirmou que iria se pronunciar no prazo determinado.

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