Anvisa aprova uso da Coronavac e da vacina de Oxford/AstraZeneca no Brasil

Vinicius Cordeiro

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Com dez meses de pandemia, o Brasil terá o início da vacinação contra a covid-19. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou hoje, de forma unânime, o uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford/AstraZeneca, desenvolvidas no país pelo Instituto Butantan e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), respectivamente. A reunião teve início pouco depois das 10h e foi encerrada às 15h20, com transmissão ao vivo pela internet.

O primeiro voto foi da relatora dos pedidos, a diretora Meiruze Freitas. “Guiados pela ciência, assim como pelas evidências, resultados e informações apresentados, voto pela aprovação temporária”, justificou ela. Além disso, também defendeu que a população tome as vacinas. “Uma vacina só é de fato eficaz se as pessoas estiverem dispostas a tomá-la”, completou.

Depois dela, também foram favoráveis à aprovação os diretores Romison Rodrigues Mota e Alex Machado Campos. Até agora, os três deixaram claro que não há tratamento precoce para covid-19 e discursaram contra o negacionismo. Por fim, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, e da diretora Cristiane Jourdan ampliaram o coro.

Apesar da aprovação, a Anvisa determinou que as duas vacinas mantenham a geração de dados e sejam reavaliadas constantemente.

O uso emergencial é um artifício para acelerar a vacinação da população. No Brasil, ainda não há nenhum imunizante havia sido aprovado até agora enquanto mais de 50 países já iniciaram o processo, também com uso emergencial. Conforme o PNI (Plano Nacional de Imunização), criado pelo Ministério da Saúde, os grupos prioritários, que receberão o imunizante na primeira fase, são os profissionais de saúde, idosos e indígenas.

Contudo, a vacinação em massa só acontece a partir do registro definitivo. Nenhum dos laboratórios ainda fez o pedido disso. A expectativa da Fiocruz é que os documentos sejam enviados até a próxima sexta-feira (22). A análise da Anvisa para o registro pode durar até 60 dias. O Butantan ainda não informou previsão.

ANVISA APROVA VACINAS: SÃO PAULO INICIA VACINAÇÃO HOJE E ENTREGA VACINAS AO GOVERNO FEDERAL

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Doria vai participar da primeira vacinação no Brasil. (Foto: Ettore Chiereguini/Agif/Folhapress)

O governo de São Paulo fará a primeira vacinação ainda neste domingo. O governador João Doria (PSDB) estará no Hospital de Clínicas da  Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e estará presente na primeira vacinação após a vacinação da Anvisa. Conforme o pedido feito pelo Butantan, os profissionais de saúde, idosos e indígenas serão os primeiros a receber as doses do imunizante.

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a escolhida para tomar a primeira vacina é enfermeira negra Monica Calazans, de 54 anos, que atua no Instituto Emílio Ribas.

Doria divulgou que já determinou que o Instituto Butantan entregue imediatamente as vacinas ao Ministério da Saúde para que sejam distribuídas a todos os estados.  “O Brasil tem pressa para salvar vidas”, publicou.

O governo federal prevê o início da vacinação na próxima quinta-feira (21). O Ministério da Saúde conta com as seis milhões de doses da Coronavac e ainda aguarda outros dois milhões de vacinas de Oxford/AstraZeneca. O voo que estava previsto para importar dos imunizantes da Índia foi suspenso.

Segundo os dados do consórcio de imprensa, o Brasil registra 209.350 mortes e 8.456.705 infectados por covid-19. Na semana passada, o planeta superou a marca de dois milhões de óbitos por causa da doença.

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