Anvisa decide uso emergencial das vacinas Coronavac e de Oxford; saiba tudo da reunião

Redação

anvisa vacinas uso emergencial coronavac oxford

Neste domingo (17), às 10h, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decide o uso emergencial de duas vacinas contra a covid-19: a CoronaVac e a vacina de Oxford/AstraZeneca. A reunião, que tem duração prevista de cinco horas, avalia os pedidos feitos pelo Instituto Butantan e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), respectivamente, será transmitida ao vivo.

O uso emergencial é uma forma de acelerar o processo de vacinação da população brasileira. No Brasil, ainda não há nenhum imunizante aprovado. Enquanto isso, mais de 50 países já iniciaram a vacinação com o uso emergencial. Caso as duas vacinas sejam aprovadas, elas já poderão ser aplicadas, conforme organização do Ministério da Saúde, nos grupos prioritários já divulgados: profissionais de saúde, idosos e indígenas.

Apesar disso, a vacinação em massa só acontece a partir do registro definitivo. Nenhum dos laboratórios ainda fez o pedido disso. A expectativa da Fiocruz é que isso seja enviado até a próxima sexta-feira (22). A análise da Anvisa para o registro pode durar até 60 dias.

Conforme o Ministério da Saúde, a expectativa é que as vacinas sejam aprovadas no próximo dia 21. O cronograma inclui a distribuição de oito milhões de doses de vacinas para estados e municípios. Seis milhões serão da CoronaVac, já disponíveis em São Paulo, e outros dois milhões da Oxford/AstraZeneca, que precisam ser importadas da Índia.

CORONAVAC

A CoronaVac foi desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A apresentação dos resultados já foi feita: a eficácia global é de 50,4%. Ou seja, metade das pessoas que tomam a vacina se tornam imunes ao coronavírus e não pegam a doença. Além disso, a outra parcela, que contraiu o vírus mesmo tomando a vacina, não desenvolve casos graves. Ou seja, não são necessárias internações em UTIs e não há qualquer chance de morte por causa da covid-19.

Além disso, a vacina contra a covid-19 é um dos trunfos do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), na eventual disputa das eleições de 2022 contra o atual presidente Jair Bolsonaro.

VACINA DE OXFORD/ASTRAZENECA

A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, em conjunto com a farmacêutica AstraZeneca (inglesa e sueca) já demonstra eficácia de 70% apenas com a primeira dose. Em entrevista ao jornal o Globo, a pesquisadora Sue Ann Costa Clemens disse ainda que a eficácia pode chegar a mais de 80% com a segunda dose. Ela revelou também que os estudos ainda apontam que a eficácia aumenta com o intervalo entre as aplicações das doses. Na Inglaterra, as pessoas são vacinadas com esse período de até 12 semanas.

A vacina de Oxford/AstraZeneca já teve mais de um milhão de doses aplicadas. Sete países já aprovaram o uso emergencial: Reino Unido, Índia, México, Marrocos, Argentina, Equador e El Salvador. Mais de um milhão de doses já foram aplicadas

REUNIÃO DA ANVISA

A reunião é iniciada com abertura da diretora da Anvisa Meurize Freitas, relatora dos pedidos da CoronaVac e de Oxford/AstraZeneca. Depois disso, os especialistas farão uma apresentação de três análises técnicas: medicamentos, certificação de boas práticas de fabricação e monitoramento de eventos adversos). A partir disso, a relatora dá o primeiro voto. Depois disso, os demais diretores votam um a um, concordando ou discordando do voto inicial.

No fim, o resultado é anunciado pelo diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres. Já como são cinco diretores da Anvisa (número ímpar), não há possibilidade de empate. A votação terminará com resultado que libera ou proíbe o uso das vacinas na população brasileira. Além de Meurize Freitas e Antônio Torres, também decidem sobre o uso emergencial: Cristiane Jourdan, Romison Rodrigues Mota e Alex Machado Campos.

Importante: os pedidos das duas vacinas são independentes. Isso quer dizer que a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, pode ser rejeitada e a vacina Oxford/AstraZeneca, da Fiocruz, pode ser aprovada. Ou vice-versa.

A decisão da Anvisa sobre o uso emergencial das vacinas passa a valer assim que o comunicado oficial da Anvisa for enviado para Butantan e Fiocruz, sem necessidade de publicação do Diário Oficial da União.

Previous ArticleNext Article