Argentina começa a vacinar população com a Sputinik V nesta terça

Redação

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A Argentina começa a vacinar a população contra a covid-19 nesta terça-feira (29). O país já conta com 300 mil doses da vacina russa Sputinik V desde a última quinta-feira (24) e a expectativa é imunizar a maior parte dos profissionais de Saúde em 72 hora.

A data do início da vacinação foi definida em reunião do presidente Alberto Fernández com os governadores das províncias, que elaboraram um plano próprio. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, afirmou que a vacinação é um desafio coletivo. A jurisdição conta com 315 mil cadastrados e tem plano de continuar a imunização com os trabalhadores de Segurança e Educação; pessoas com mais de 60 anos e entre 18 e 59 anos que se encontram em grupos de risco por apresentarem doenças pré-existentes.

A vacina russa foi aprovada em caráter emergencial pelo Ministério da Saúde argentino na semana passada, o que significa que a vacinação é gratuita e não é obrigatória neste momento. Além das doses já distribuídas nas províncias do país, são esperadas novas remessas no início de 2021.

Foi a primeira autorização da Sputinik V na América Latina, mas a Argentina será o quarto país a aplicar os imunizantes na população. México, Chile e Costa Rica já iniciaram o processo no último dia 24 com a vacina desenvolvida pelos laboratórios da Pfizer e BioNTech, usadas na maior parte da União Europeia e também em países como Canadá e Estados Unidos.

GOVERNO DA ARGENTINA DEFENDE VACINA SPUTINIK V

Como em todos os países, existe muita discussão sobre as vacinas contra a covid-19 na Argentina. No entanto, a agência estatal Télam fez questão de assegurar que a Sputinik V foi aprovada após apresentar resultados em todas as etapas de estudo necessárias pelas autoridades sanitárias.

“A vacina Sputnik V demonstrou em estudos clínicos ser segura por não causar efeitos adversos graves e eficácia superior a 91,4%, segundo resultados provisórios da fase 3, a que a Anmat [Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica] teve acesso para emitir sua recomendação para a autorização de ‘uso emergencial'”, diz a agência.

A Télam ainda ouviu uma especialista para falar sobre o fato da Sputinik V não ter tido resultados da fase 3 publicados pela revista científica The Lancet. ‘O fato de os resultados provisórios da fase 3 ainda não terem sido publicados em periódico científico, além de não ser a primeira aprovação no mundo sem a publicação da fase 3 não é um requisito ou uma condição para uma aprovação de uso de emergência” , disse a médica infectologista Florencia Cahn.

Ela relembrou que aconteceu o mesmo com a vacina da Pfizer no Reino Unido, por exemplo. “Deve-se levar em conta que nenhuma das vacinas candidatas completou a fase 3 porque esta fase requer um acompanhamento de médio e longo prazo. O que está sendo publicado são resultados provisórios em todos os casos que têm suporte suficiente para permitir o uso de emergência”, completou ela.

Conforme os dados, a Argentina acumula 42.650 mortes e 1.590.513 casos de covid-19 desde o início da pandemia.

BRASIL FICA ATRÁS DE OUTROS PAÍSES POR OPÇÃO DO GOVERNO

Presidente Jair Bolsonaro acredita que os laboratórios devem procurar o Brasil. (Alan Santos/PR)

Vale lembrar que o governo do Paraná elaborou um acordo para transferência de tecnologia e que a Sputinik V fosse desenvolvida pelo Tecpar (Instituto Tecnológico do Paraná). O Paraná Portal explicou na metade deste mês que o atraso no início dos testes, planejado inicialmente para outubro, deve-se ao fato do fundo de investimento russo ter formalizado uma parceria com uma indústria farmacêutica privada. Com isso, a empresa paranaense aguarda definições dos europeus para o processo avançar ou até mesmo de romper a parceria.

A vacina russa foi o primeiro imunizante a ser registrada no mundo e passou a ser aplicada nos profissionais de saúde, assistentes sociais e professores de Moscou no dia 5 de dezembro. No último sábado, os idosos também passaram a receber a vacina.

No Brasil, o governo federal ainda não fez nenhum acordo com qualquer laboratório. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a afirmar ontem (28) que os fabricantes das vacinas é que devem procurar Brasil, não o contrário. Enquanto isso, o governo de São Paulo pretende fechar o ano com 11 milhões de doses da CoronaVac.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável por regulamentar e aprovar qualquer vacina, ainda não tem qualquer pedido de aprovação em caráter emergencial ou requisição de registro. A Pfizer já informou hoje que não irá submeter a sua vacina, produzida em parceria com a BionTech, para o uso emergencial no Brasil.

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