Secretaria da Saúde diz que aumento da Covid-19 em Curitiba foi “inesperado”

Angelo Sfair

boletim covid-19 curitiba 9/12

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba classificou como “inesperado” o súbito aumento de casos da covid-19. A escalada de casos, junto ao esgotamento das vagas de UTI e enfermaria nos hospitais, fez a capital retornar para a bandeira laranja de alerta nesta quinta-feira (26).

Apesar da estranheza alegada pela Prefeitura de Curitiba, a taxa de replicação (taxa r) do coronavírus está acima de 1 desde outubro. Ou seja, dia após dia, desde que a taxa r esteja acima de 1, a pandemia caminha para o aumento exponencial dos casos, e não o contrário.

“Estamos buscando equacionar a situação. É um momento delicado. Inesperado, eu diria. A gente não está entendendo bem”, disse a secretária da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak. “A gente esperava isso para depois de fevereiro”.

HOSPITAIS DA REGIÃO METROPOLITANA PRESSIONAM CURITIBA

A Grande Curitiba e o litoral do Paraná utilizam um sistema de assistência médica integrado. Desse modo, a lotação de hospitais em cidades da região metropolitana ou litorânea impactam diretamente no serviço prestado na capital.

Nesta quinta-feira (26), de acordo com o Portal da Transparência da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), vários municípios deram sinal de esgotamento do sistema público de Saúde. A preocupação vai além da pandemia de Covid-19, uma vez que infartos, AVCs e traumas, por exemplo, também demandam leitos de alta complexidade.

No Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, 10 dos 12 leitos de UTI adulto estavam ocupados até esta quinta-feira (26).

Em Campina Grande do Sul, o hospital Angelina Caron atingiu 100% de ocupação nas 57 vagas de alta complexidade. O mesmo acontece em três hospitais de Campo Largo: Hospital São Lucas (8 vagas), Hospital do Centro (45 vagas) e Hospital do Rocio (48 vagas).

O Hospital Municipal de São José dos Pinhais também não tem vagas.

“É claro que [a lotação de hospitais da região metropolitana e do litoral] impacta em Curitiba. Já vínhamos discutindo com a Sesa, temos conversado quase diariamente com o secretário estadual Beto Preto e estamos muito preocupados com a situação”, disse Huçulak.

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Taxa de ocupação dos leitos gerais de UTIs do SUS em Curitiba e região (Reprodução/Sesa)

SECRETÁRIA APELA POR ISOLAMENTO

Em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (27), a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, voltou a chamar a atenção para a contaminação intrafamiliar. Segundo ela, essa é a principal cadeia de transmissão da Covid-19 na capital.

“Temos muitos casos de jovens que vão num churrasco e saem sete pessoas contaminadas. Por causa de eventos como esse há muita transmissão intrafamiliar”, comentou.

Segundo Huçulak, parte da escalada de casos de coronavírus em novembro pode ser atribuída aos jovens, que geralmente apresentam sintomas menos graves.

“O maior aumento é entre a população jovem, entre 15 e 49 anos. Esse perfil circula mais pela cidade, se infecta e, geralmente, tem sintomas leves. Mas transmitem para pai, mãe, vô, vó. Precisamos encerrar as cadeias de transmissão do vírus”.

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