Curitiba prorroga decreto da bandeira amarela mesmo com ‘tsunami’ nos casos de covid-19

Vinicius Cordeiro

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Mesmo com recorde no número de casos pelo terceiro dia seguido, a prefeitura de Curitiba optou por prorrogar o atual decreto e manter a bandeira amarela, que significa primeiro nível de alerta de contágio para a covid-19.

Com isso, o decreto 1490 é prorrogado por mais 14 dias e não há qualquer restrição, com exceção das medidas de prevenção, em atividades comerciais, como bares, restaurantes, shoppings e comércio de rua. Ou seja, é obrigatório o uso de máscara, distanciamento social e higiene das mãos com álcool gel ou água e sabão. A prefeitura assegura que não haverá desassistência à população e nem falta de equipamentos.

Conforme o boletim, são mais 1.409 confirmações (recorde pelo terceiro dia seguido) e 11 mortes pelo novo coronavírus. O número caso de ativos, que corresponde ao número de pessoas com potencial transmissão da doença, chegou a 9.131, também recorde na pandemia.

Contudo, houve queda na taxa de ocupação de leitos exclusivos para covid-19 pelo SUS (Sistema Único de Saúde). 87% dos leitos disponíveis estavam ocupados ontem, mas o índice caiu para 76% nesta sexta porque a prefeitura reativou 41 leitos, o que fez o índice diminuir. Esse é um dos indicadores com maior peso para o valor do sistema de bandeiras ser calculado (veja mais sobre no fim do texto).

No acumulado, Curitiba tem 65.439 casos confirmados (54.695 recuperados) e 1.613 mortes.

CURITIBA SOFRE TSUNAMI NOS CASOS DE COVID-19, DIZ HUÇULAK

Márcia Huçulak, secretária municipal da Saúde, e o prefeito Rafael Greca concederam entrevista coletiva nesta manhã e fizeram um apelo à população para retomar as medidas de prevenção ao coronavírus.

Além disso, atribuíram a disparada dos casos ao feriado de Finados, no início do mês, e ao cansaço da sociedade em seguir os protocolos para cortar o contágio da covid.

“A partir de quinta-feira [passada] houve aumento abrupto, um tsunami de casos. No feriado, vimos movimento muito grande. As pessoas perderam o medo do vírus. As pessoas estavam se cuidando mais antes”, disse Huçulak.

Já Greca afirmou que seria contra a adoção das medidas restritivas. “Não me move a vontade de implantar restrições na cidade”, afirmou ele hoje cedo. Apesar da postura, ele têm cobrado “inteligência” e “prudência” da população ao longo da semana.

POR DECRETO, BANDEIRA AMARELA SEGUE EM CURITIBA 

A definição pela manutenção da bandeira amarela é tomada após o aumento recorde nos números de casos confirmados e ativos, além da procura por atendimento médico. A taxa de ocupação nos leitos UTI (Unidade de Terapia Intensiva) também cresceu e chegou a 87%, mas abaixou para 76% nesta sexta com a ativação de mais 41 leitos.

Seis dos nove hospitais que atendem pela rede pública estiveram sem vagas disponíveis. O dado consta no painel atualizado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), que ainda não teve atualização hoje.

SISTEMA DE BANDEIRAS

O sistema de bandeiras definido pela Secretaria é resultado de nove indicadores. Seis deles se referem ao nível de propagação da doença e outros três avaliam a capacidade de atendimento do sistema de Saúde. O cálculo dos indicadores resulta em uma taxa, que pode ser 1 (cor amarela), 2 (laranja) e 3 (vermelho).

A prefeitura de Curitiba já adotou a bandeira no dia 15 de junho e 7 de setembro, mas flexibilizou as medidas restritivas do decreto ao longo da pandemia. Desde o dia 29 de setembro, quando a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a cidade passou a ter estabilização dos números do coronavírus, a bandeira amarela está em vigor.

Anteriormente, os decretos já tinham determinado o fechamento de bares e restaurantes em Curitiba. Mercados, shoppings, comércio de rua, academias e Igrejas também sofreram limitações no funcionamento. A prefeitura de Curitiba ressalta que todos devem respeitar as medidas de prevenção como o uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos com álcool gel ou água e sabão enquanto não houver vacina.

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