Coronavírus
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Câmara de ministério desmente Queiroga e dá apoio unânime a vacina infantil

A Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19, ligada ao Ministério da Saúde, formou e divulgou posiciona..

Carlos Madeiro - Folhapress - 19 de dezembro de 2021, 16:12

Alejandra De Lucca V./Minsal
Alejandra De Lucca V./Minsal

A Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19, ligada ao Ministério da Saúde, formou e divulgou posicionamento unânime a favor da vacinação de crianças de 5 a 11 com a vacina da Pfizer.

A decisão ocorreu durante a reunião do comitê formado por médicos e pesquisadores na última sexta-feira e desmente a fala do ministro Marcelo Queiroga de que a câmara iria se reunir apenas no dia 22 para "oferecer suas opiniões e seu documento técnico" sobre a vacinação infantil. Também na sexta-feira, ele disse que a vacinação de crianças não seria consensual - o que a nota também desmente.

"Tendo em vista o recente parecer favorável por parte da Anvisa em relação ao pedido de autorização para aplicação da vacina desenvolvida pela fabricante Pfizer na população pediátrica entre 5 e 11 anos de idade no Brasil, a CTAI Covid-19 manifestou-se unanimemente favorável à sua incorporação na campanha nacional de vacinação, em reunião ordinária realizada no dia 17 de dezembro de 2021", informa a câmara em nota pública.

O discurso de Queiroga segue um posicionamento do presidente Jair Bolsonaro, que é contrário à vacinação de crianças e chegou a ameaçar divulgar nomes dos técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que aprovaram o uso do imunizante da Pfizer.

A decisão de incorporar ou não a vacina infantil da Pfizer ao calendário cabe apenas ao Ministério da Saúde. Diante da negativa inicial do ministério, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na sexta-feira que o governo federal apresente em até 48 horas a complementação do PNI (Programa Nacional de Vacinação) com a inclusão de crianças.

A CÂMARA E SEU PAPEL

A câmara técnica foi instituída em 5 de agosto pelo Ministério da Saúde e dentre as suas atribuições está "realizar análise técnica e científica para propor a definição do público-alvo e estimativa de doses necessárias para a imunização."

Além disso, outras missões do órgão são "auxiliar técnica e cientificamente as decisões no tocante à segurança do cumprimento do esquema vacinal" e "elaborar manifestação técnica e científica sobre temas relacionados ao Programa Nacional de Imunizações (PNI)."

O órgão é formado por representantes de diversas entidades ligadas ao tema imunizações, como as sociedades brasileiras de Pediatria, Imunizações, Infectologia, Reumatologia e Geriatria e Gerontologia. Pesquisadores de Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Instituto Butantan e Opas (Organização Panamericana de Saúde); além de representantes das secretarias estaduais e municipais de saúde, também participam do grupo.

Segundo o presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Juarez Cunha, o ministério tem acolhido -pelo menos até aqui- as decisões da câmara e espera que não haja interferência política ou anti-ciência no caso da imunização de crianças.

"Em geral, o que é discutido nessa câmara é levado em consideração pelo PNI. Algumas situações acabam tendo mais dificuldade na decisão, como foi o caso do intervalo da dose de reforço, mas que acabou seguido pelo que foi definido lá", explica.

ARGUMENTOS

Entre os argumentos citados na decisão dos técnicos na sexta, além da aprovação da Anvisa, os especialistas levaram em conta que a vacina já é usada em vários países e que passou por testes e análises com ótimos resultados.

Ainda segundo os técnicos, apesar de afetar menos que adultos e idosos, crianças com covid-19 têm apresentado número alto de hospitalizações e mortes. "Em 2020, 10.356 crianças entre 0-11 anos foram notificadas com diagnóstico de SRAG por COVID-19, das quais 722 evoluíram para óbito. Em 2021, as notificações se elevaram para 12.921 ocorrências na mesma população, com 727 mortes, totalizando 23.277 casos de SRAG por COVID-19 e 1.449 mortes desde o início da epidemia", explicam.

O UOL revelou em reportagem hoje que entre crianças de até 9 nove anos, a covid-19 matou mais que a soma de todas as doenças prevenidas por vacinas no país entre 2006 e 2020.

"Não há porque retardar o início da vacinação, visto que já está disponível pelo menos uma das vacinas. É um direito que as nossas crianças têm de estarem protegidas", diz Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Para ele, o risco que as crianças terão será ainda maior quando a ômicron começar a circular no Brasil. "Ela tende a infectar os não vacinados, e desproporcionalmente vamos ver mais crianças acometidas que no passado. É hora de prevenção", completa.