Coronavírus
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Carga de Covid no esgoto de Curitiba atinge, na última semana de 2021, maior quantidade desde agosto

Na última semana de 2021, de 27 a 31 de dezembro, a carga de Covid-19 no esgoto de Curitiba atingiu a maior quantidade d..

Redação - 08 de janeiro de 2022, 07:00

Geraldo Bubniak/AGB
Geraldo Bubniak/AGB

Na última semana de 2021, de 27 a 31 de dezembro, a carga de Covid-19 no esgoto de Curitiba atingiu a maior quantidade desde agosto. A taxa registrada foi 31 vezes superior à carga detectada na semana anterior.

É o que aponta dados da Rede Monitoramento, coordenada em Curitiba pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). Os dados de carga do Sars-CoV-2 na capital paranaense foram obtidos pela soma das cargas das cinco Estações de Tratamento de Esgoto monitoradas, que atendem juntas toda população de Curitiba e uma fração da população da região metropolitana.

ALÉM DO AUMENTO DA CARGA DE COVID-19 NO ESGOTO DE CURITIBA, FOI OBSERVADO MAIOR NÚMERO DE NOVOS CASOS

Na última semana de 2021, a carga do vírus da Covid-19 atingiu um valor de 167,7 bilhões de cópias genômicas de Covid-19 por dia, por 10 mil habitantes. Na semana anterior, o valor  determinado havia sido 31 vezes menor: 5,4 bilhões de cópias.

Desde agosto de 2021, as cargas não atingiam patamares tão elevados. Na última semana de 2021, houve aumento nas concentrações de coronavírus em todas as Estações de Tratamento de Esgotos monitoradas. Duas delas, Padilha Sul e Santa Quitéria,  as concentrações atingiram valores considerados bastante elevados, acima de 25 mil cópias genômicas.

Aliado a essa investigação, também foi observado aumento duas vezes maior no número de novos casos confirmados de Covid-19 em Curitiba na última semana de 2021, em relação à semana anterior.

VÍRUS NÃO ESTÁ NA FORMA ATIVA E INFECCIOSA

Embora o vírus Sars-CoV-2 (causador da Covid-19) possa ser detectado no esgoto, ele não está na forma ativa e infecciosa. De acordo com a pesquisa recentemente publicada por Sobsey, não há evidência documentada que o vírus tenha capacidade de infecção e replicação quando presente em resíduos fecais, esgoto sanitário e na água.

Além disso, o autor destaca que nunca foi relatada a infecção por Covid-19 por esses meios de exposição.

Cabe destacar que o sistema de esgotamento sanitário é separado do sistema de abastecimento de água, não havendo, portanto, possibilidade de contaminação da água potável, pois o controle de riscos de contaminação do sistema de abastecimento pelo sistema de esgotamento segue normas técnicas desde seu projeto à sua construção e operação.

Desta forma, reiteramos que as partículas virais detectadas e quantificadas pela Rede Monitoramento Covid Esgotos são apenas indicadores da infecção de pessoas pela Covid-19, com vistas à vigilância epidemiológica, e não representam risco de infecção adicional, não sendo necessário cuidados adicionais em relação a água potável, conforme divulgado em informações equivocadas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas.

O QUE É A REDE MONITORAMENTO COVID ESGOTOS? 

A Rede Monitoramento Covid Esgotos foi criada com intuito de ampliar a disponibilidade de informações para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 por meio do monitoramento do Sars-CoV-2 nos esgotos das capitais brasileiras Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Na capital paranaense, especificamente, o projeto é coordenado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e conta com o apoio da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná).

Informações mais detalhadas sobre os pontos de monitoramento, incluindo a justificativa para o monitoramento de cada ponto, podem ser obtidas no Boletim de Apresentação da Rede. O histórico de resultados da Rede pode ser consultado nos Boletins de Acompanhamento, disponíveis na página da ANA.