Colapso é inevitável se contágio do coronavírus não diminuir em Curitiba

Angelo Sfair

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Hospitais públicos e privados de Curitiba operam há dias no limite e o entendimento comum é de que será impossível dar vazão à demanda caso a cadeia de contágio do coronavírus não seja interrompida. O crescimento consistente da fila de pacientes à espera por leitos é um sinal claro do colapso do sistema de Saúde, embora as autoridades não tenham assumido o termo oficialmente.

Enquanto o SUS (Sistema Único de Saúde) se reorganiza para realizar os atendimentos prioritários, alguns hospitais privados chegaram a fechar unidades de pronto atendimento por causa da superlotação. A situação gerou uma cobrança pública da secretária municipal da Saúde de Curitiba, que solicitou aos hospitais particulares a apresentação urgente de um plano de contingência à covid-19.

“Na verdade, a situação dos hospitais privados é muito semelhante a do sistema público”, explicou Flaviano Ventorim, diretor-executivo do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Segundo ele, o aumento repentino da demanda e a mudança recente no perfil das internações prejudicou a capacidade de atendimento na capital paranaense.

“Todos os hospitais estão com uma taxa de ocupação alta, em especial nos leitos de UTI. O que acontece é que os pacientes estão ficando piores muito rapidamente, o que pode estar ligado a essa nova cepa, e permanecendo por mais tempo, dificultando o processo de girar os leitos para atender mais gente”, apontou.

De acordo com o médico, que é presidente da Fehospar (Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná), as instituições privadas também atingiram o limite da capacidade de resposta. “A gente tem que entender que o sistema de saúde brasileiro é único. Ele é público, e a rede privada complementa a saúde pública”, completou.

SMS COBRA PLANO DE CONTINGÊNCIA PARA HOSPITAIS PRIVADOS

A secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, cobrou dos hospitais particulares um plano de contingência para a covid-19. Durante a sessão plenária da Câmara Municipal, ontem (10), ela lembrou 40% das pessoas que buscam atendimento médico na capital têm convênios. Segundo ela, ao fecharem pronto atendimentos, os hospitais privados sobrecarregam o sistema público.

Além disso, ela pediu para que a população evite procedimentos médicos que não são sejam de urgência ou emergência. “Quem puder adiar, adie as cirurgias eletivas. Precisamos que toda a força da rede pública, privada e contratada do SUS esteja devotada para a oferta do sistema de saúde como um todo”, apelou.

Desde novembro, hospitais privados de Curitiba convivem com a superlotação. Na terça-feira (9), o Hospital Marcelino Champagnat voltou a fechar o pronto atendimento após chegar ao limite da capacidade. Em nota, a instituição informou que opera acima da capacidade mesmo após ampliar a rede de UTIs em 60% desde o início da pandemia.

O Hospital Angelina Caron, que passou a integrar a lista de unidades de referência para a covid-19 na região metropolitana de Curitiba, diz que reservou 31 UTIs e 36 leitos não críticos para atendimento exclusivo de pacientes com coronavírus. Mesmo assim, registrou filas de espera nesta semana, ocasionando um “congestionamento” de ambulâncias.

VARIANTES E COMPORTAMENTOS DE RISCO

Segundo a SMS, a circulação das variantes do coronavírus – brasileira, inglesa e sul-africana, até 70% mais transmissíveis – se somou à mudança de comportamento dos cidadãos, que agora estão menos atentos e mais expostos à contaminação. Esse fator pode ser determinante para o colapso de hospitais públicos e privados.

“Muitos jovens adultos estão necessitando de terapia intensiva. É uma mudança no perfil de transmissão e no impacto do serviço de saúde. É claro e notório”, pontuou Alcides Oliveira, epidemiologista da SMS.

Para a secretária Márcia Huçulak, mais importante do que abrir novos leitos de UTI, para evitar o colapso é necessário interromper a onda de contágio. “Adquirir covid é uma roleta russa: ninguém sabe se terá sintomas leves, moderados ou graves. Das pessoas que têm sintomas moderados e graves, 25% vai morrer”, afirmou.

Nós precisamos ter UTI, mas isso não vai salvar a todos. Mesmo com a melhor UTI do mundo, com o melhor respirador, com tudo que a gente possa fazer, alguns irão falecer. E são mortes evitáveis se não houver o contágio”, concluiu.

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