Com 699 pessoas esperando por leitos, secretário diz que Paraná vive pré-colapso

Vinicius Cordeiro

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699 pessoas com confirmação ou suspeita de covid-19 estão aguardando por leitos no Paraná nesta quarta-feira (3). Segundo a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), são 265 pacientes à espera de UTI e 434 pessoas necessitando de um leito de enfermaria.

Beto Preto, secretário estadual da Saúde, aponta que o Paraná vive um período pré-colapso e já está no limite do sistema hospitalar. “É um momento muito grave, só quem tem um familiar passando por isso sabe do que estou falando. O cenário é dramático”, afirmou.

Apesar do número recorde, o governo ainda não trabalha com a possibilidade de transferir pacientes para outros estados. A estratégia já foi adotada por Santa Catarina, que enviará 16 pessoas ao Espírito Santo devido à falta de leitos.

“Vamos, por enquanto, manter os paranaenses no Paraná. Mas, se houver necessidade e oportunidade, vamos lançar mão desse artifício”, diz Beto Preto.

Neste momento, mais de 4 mil pessoas estão internadas em leitos públicos e privados. O Estado está com 93% das UTIs da rede pública para adultos ocupadas.

O índice chegou a estar em 94% na semana passada, mas a abertura de 55 novas vagas deram um respiro momentâneo. No entanto, todas as regiões do Paraná estão com ocupação acima de 90%, sendo que Oeste e Leste têm taxas em 95% e 93%, respectivamente.

O governo estadual afirma que os investimentos na pandemia já ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão. Em um ano de pandemia, foram No entanto, o esforço agora é para que a população respeite o atual decreto e ajude a evitar o colapso iminente. No entanto, a polícia encerrou quase 700 aglomerações apenas nos três primeiros dias do lockdown.

“A você que infelizmente acha que a pandemia já acabou, que está saindo de casa… Não achem que queremos interromper a atividade de ninguém. Não adianta achar que vamos criar mais leitos num estalar de dedos. Não temos mais equipes e equipamentos”, completou o secretário Beto Preto.

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Secretário de Estado da Saúde, Beto Preto não disfarça a gravidade da situação da covid no Paraná. (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

No último domingo, uma mulher de 49 anos morreu em Londrina, na região norte do Paraná, enquanto aguardava por um leito de UTI. Em Cascavel, na região oeste, o Hospital Municipal precisou solicitar equipamentos do zoológico para seguir atendendo pacientes. A cidade tem um dos piores cenários neste momento e vai receber a visita do ministro Eduardo Pazuello, da Saúde, após solicitar ajuda em caráter emergencial.

Já em Curitiba, dois hospitais – Nossa Senhora das Graças e Marcelino Champagnat – suspenderam o atendimento a novos pacientes por estarem operando no limite.

Veja a distribuição de pessoas à espera de leitos no Paraná, por região:

  • Curitiba e Região Metropolitana: 246 pessoas – 81 UTI e 165 enfermaria;
  • Leste: 142 pessoas – 51 UTI e 91 enfermaria;
  • Oeste: 160 pessoas – 81 UTI e 79 enfermaria;
  • Norte: 53 pessoas – 30 UTI e 23 enfermaria;
  • Noroeste: 98 pessoas – 22 UTI e 76 enfermaria;

Conforme o boletim estadual, o Paraná acumula 656.410 casos e 11.888 mortes por coronavírus.

GOVERNO ATRIBUI AUMENTO DOS CASOS DE COVID À NOVA CEPA

O governo atribui o crescimento de 48,5% da média móvel de casos nas duas últimas semanas à nova variante da covid-19, conhecida como P1. A mutação do vírus é conhecida internacionalmente por ter tido os primeiros registros na Amazônia e por atingir pessoas mais jovens.

“Esse vírus é mais agressivo que o coronavírus de 2020. Essa variante está circulando aqui no Paraná. No estudo que a Fiocruz fez no último sábado, de 216 testes específicos para P1, 70% deu positivo. Essa variante está circulando de maneira comunitária e é muito grave”, aponta o secretário Beto Preto.

Segundo ele, a variante amazônica é quatro a seis vezes mais rápida e agressiva no contágio, além da evolução dos sintomas acontecer de maneira mais rápida.

Diante do cenário crítico no Paraná, as ações de combate à covid podem se tornar mais duras na próxima segunda-feira (8), quando a vigência do atual decreto se encerra.

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