Começa na Argentina distribuição do soro equino hiperimune para tratamento da covid-19

Redação

É o "CoviFab", uma imunoterapia inovadora à base de anticorpos policlonais que reduziu em 45% a mortalidade e em 24% a necessidade de internação em terapia intensiva de doentes
soro equipe hiperimune

Na Argentina, o soro equino hiperimune desenvolvido por pesquisadores para o tratamento de pacientes adultos com sintomas moderados a graves do coronavírus, que a Anmat (Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica) aprovou no final de dezembro, estará disponível a partir desta segunda-feira para uso hospitalar e sob prescrição em clínicas. As informações são da agência argentina Télam, em texto assinado pela jornalista Maria Alicia Alvado.

A confirmação foi feita à agência por Fernando Goldbaum, diretor do Centro de Redesenho e Engenharia de Proteínas da Universidade Nacional de San Martín (CRIP-Unsam) e sócio fundador da empresa de biotecnologia Inmunova – duas das instituições promotoras do projeto. Goldbaum disse que o medicamento estará disponível “em todo o país” em questão de “horas ou dias”.

“Em pacientes que estão piorando e não desenvolvem sua própria resposta imunológica a tempo, o fornecimento de anticorpos por esta imunoterapia passiva permite evitar a proliferação viral e dar ao paciente tempo para desenvolver suas próprias defesas, evitando a inflamação respiratória generalizada causada por isso doença “, explicou Goldbaum.

O estudo clínico que rendeu esses resultados e no qual a Anmat se baseou para o “registro em condições especiais” deste medicamento, envolveu também “demonstrar pela primeira vez em todo o mundo que uma imunidade passiva baseada em anticorpos tem um efeito clinicamente relevante em pacientes severos hospitalizados ”,“É o primeiro tratamento inovador aprovado para a Anmat para esta doença desenvolvido na Argentina”, acrescentou o bioquímico com doutorado em Imunologia pela UBA e pesquisador do Conicet.

O estudo clínico em 242 pacientes adultos (18 a 79 anos) permitiu verificar “de forma conclusiva” que o medicamento é “muito seguro e seus efeitos adversos muito leves”, o que foi decisivo para a aprovação da Anmat.

Estudos do soro também ocorrem no Brasil

Em nível mundial, ensaios clínicos com soros equinos estão sendo realizados no Brasil, México e Costa Rica, mas em estágios “menos avançados que o nosso”, disse Goldbaum.

“Um tratamento de imunidade passiva significa que os pacientes recebem anticorpos gerados em outro organismo. No caso, um equino que foi hiperimunizado por uma proteína que funciona como um antígeno e é a usada pelo vírus (de Covid- 19) para entrar na célula “, explicou.

A hiperimunização é uma resposta imune “semelhante à produzida pela vacinação”, mas gerada “com doses muito altas” da proteína que funciona como um antígeno, que é inoculada “muitas vezes” no equino para que “produza uma grande quantidade de anticorpos. Esses anticorpos são então processados ​​biotecnologicamente para se obter fragmentos muito seguros que não produzem efeitos adversos e retêm uma capacidade de neutralização muito elevada “.

Goldbaum explica que os anticorpos podem ser “monoclonais” ou “policlonais”, como os fornecidos por esse soro hiperimune.

“Policlonal é a resposta de um organismo imunocompetente que, diante de um determinado antígeno, ativa muitos clones capazes de responder a ele, enquanto os anticorpos monoclonais vêm de um único clone”, explica.“Nesse caso usamos anticorpos policlonais porque, ao reconhecer o antígeno de maneiras diferentes, ele gera maior potência, maior capacidade neutralizante e menos possibilidade de os mutantes não serem neutralizados”, acrescentou.

O cientista explicou ainda que esse tratamento pode ser “eventualmente complementar” a outros como o soro de convalescentes – comumente chamado de “plasma” de pessoas recuperadas – ou os anticorpos monoclonais que estão sendo desenvolvidos “nos Estados Unidos, Coréia e outros países”.

“Existem vários estudos e produtos que mostram que o plasma convalescente e o uso de anticorpos monoclonais podem ter algum efeito em pacientes leves”, disse ele.

Soro não foi usado em pacientes críticos

No caso dos chamados pacientes “críticos”, aqueles que se encontram em terapia intensiva com ventilação mecânica, a eficácia e segurança desse soro equino ainda não foram demonstradas.

“Fica a critério médico se ele prescreve para condições críticas, mas não é uma recomendação explícita que sai do estudo ou da autorização da Anmat”, disse.

Atualmente, o laboratório do Instituto Biológico Argentino (BIOL) “está produzindo cerca de 12.000 tratamentos por mês”.Não está descartado que a Argentina possa exportar seu soro eqüino, embora isso “dependa da capacidade de produção e da demanda do sistema de saúde argentino”.

“Começamos a atender primeiro a demanda interna e se houver superávit, com certeza vamos exportar. Mas também estamos em comunicação com outros países para exportar o know-how e estabelecer alianças para aumentar a produção”, concluiu.

O soro equino hiperimune é o resultado do trabalho de articulação público-privado liderado pelo laboratório Immunova, BIOL, a Administração Nacional de Laboratórios e Institutos de Saúde “Dr. Carlos G. Malbrán” (Anlis), com a colaboração da Fundação Instituto Leloir (FIL), Mabxience, Conicet e Unsam.

A distribuição e comercialização são feitas através do laboratório da Elea.

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