Coronavírus
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Coronavac como dose de reforço tem alta resposta imune, diz estudo do HC

A aplicação da dose de reforço da Coronavac em pessoas que já tinham sido vacinadas com o imunizante gera altas taxas de resposta imune contra a Covid-19.

Mônica Bergamo - Folhapress - 13 de abril de 2022, 19:08

Pedro Ribas/SMCS
Pedro Ribas/SMCS

A aplicação da dose de reforço da Coronavac em pessoas que já tinham sido vacinadas com o imunizante gera altas taxas de resposta imune contra a Covid-19, segundo aponta estudo realizado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP).

A pesquisa acompanhou, de setembro de 2021 ao fim de janeiro deste ano, 597 pacientes imunossuprimidos tratados na unidade de saúde -considerados mais vulneráveis à doença e foco da análise- e 199 pessoas de um grupo de controle (em geral profissionais de saúde sem imunossupressão).

Os resultados foram obtidos por meio de análise sorológica feita a partir da coleta de sangue dos participantes. Foi analisado principalmente a presença no organismo de anticorpos para a Covid do tipo IgG, que indicam memória imunológica contra a doença.

Segundo a pesquisa, em setembro do ano passado, seis meses após a aplicação da segunda dose da Coronavac, a taxa de IgG nos pacientes imunossuprimidos era de 60%. Um mês após a aplicação da terceira dose do imunizante, esse índice subiu para 93%. Nas pessoas do grupo de controle, o salto foi de 76,9% para 100% no mesmo período.

"Isso significa que com as primeiras doses da vacina [Coronavac], o indivíduo começa a criar uma resposta e desenvolver essa imunidade de memória, que é mais persistente. E aí num novo contato com o antígeno (a partir da terceira dose), ele vai recobrar essa memória que criou nas primeiras doses e produzir uma resposta mais elevada", explica a médica reumatologista do HC, Nádia Aikawa.

A pesquisa também acompanhou os pacientes até o final de janeiro, quatro meses após a aplicação da dose de reforço, e quando os casos de infecção pela variante ômicron estavam em ascensão em São Paulo.

Dentre os pacientes imunossuprimidos, 10% receberam diagnóstico positivo para a doença, sendo que dois deles precisaram de internação. Não houve registro de mortes. No grupo de controle, o número de infectados pela Covid foi de 16%. "Foi um pouquinho maior neste grupo, mas precisamos levar em conta que eram profissionais de saúde, que estão normalmente mais expostos ao vírus", afirma a médica.

"Os resultados são bastante importantes, principalmente porque grande parte do estudo foi realizado em pacientes com imunossupressão, sabidamente um público que tem resposta diminuída para vacinas em geral. Os dados reforçam que a Coronavac é um excelente imunizante para a aplicação como dose de reforço, mesmo se as pessoas já tiverem tomado duas doses da vacina anteriormente", salienta ela.

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