Covid: Sem leitos, Curitiba deve ver crise se acentuar nas próximas semanas

Vinicius Cordeiro

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Todos os leitos (enfermaria e UTIs) da rede pública de Curitiba estão lotados, mas a cidade deverá enfrentar momentos ainda mais difíceis nas próximas semanas. A previsão é do diretor de Epidemiologia da SMS (Secretaria Municipal da Saúde), Alcides Oliveira. Ao Paraná Portal, ele citou que o colapso de Manaus registrou avanço da covid-19 por oito semanas até chegar no ponto mais crítico. Em Curitiba, a pasta considera que a explosão do coronavírus se iniciou no dia 15 de fevereiro, há cerca de um mês.

“A gente ainda não chegou no platô e muito menos em queda. Como a cidade entrou na cidade vermelha, há queda na movimentação de pessoas e isso ajuda a frear. Então pode ser que a gente não faça o ciclo todo de aumento. Mas pelo menos nas próximas duas semanas a gente espera ter forte impacto no sistema”, admite ele.

Por enquanto, a prefeitura de Curitiba não considera que há colapso porque ainda há oferta dos serviços de atendimento. A administração garante que até o momento ninguém morreu desassistido.

Segundo o boletim desta quinta-feira (18), Curitiba acumula 161.967 casos e 3.381 mortes por covid-19. A capital paranaense bateu recorde e está com 101% de ocupação nos leitos de enfermaria, o que significa que há mais pessoas internadas do que vagas. Além disso, as 469 UTIs também estão todas ocupadas. Ou seja, o sistema robusto não é capaz mais de reagir.

A rede privada também está esgotada: pelo menos cinco hospitais particulares suspenderam o pronto-atendimento desde a semana passada.

Em carta aberta à população, diretores de 28 hospitais de Curitiba e região defenderam o lockdown para frear a transmissão do vírus. Segundo eles, o limite foi alcançado e é preciso seguir as restrições para abaixar a demanda da covid nos serviços de Saúde.

“A gente ainda não tem indícios de estabilidade do quadro. A gente ainda não chegou no platô e muito menos em queda. No Paraná deverá durar algumas semanas”, completa Oliveira sobre a projeção.

PREOCUPANTE, DIZ SMS SOBRE FALTA DE INSUMOS NO TRATAMENTO DA COVID

Um dos cenários mais caóticos para os profissionais da Saúde é a falta de recursos para socorrer os pacientes. O Cemepar (Centro de Medicamentos do Paraná) já admitiu que os estoques de bloqueadores musculares e sedativos estão próximos do fim, o que acarreta no desabastecimento dos hospitais. O fornecimento contínuo de oxigênio também provoca receio da gestão por conta do aumento do uso. Ontem, por exemplo, o governo do Amazonas enviou 200 cilindros de oxigênio para ajudar o Paraná.

“A gente aumentou cinco vezes mais o uso. Uma das complicações da covid é a má oxigenação do corpo. O tratamento é fazer a inalação, quando o caso é grave fazendo a intubação”, ressalta Oliveira sobre a importância do recurso.

No entanto, a Secretaria da Saúde de Curitiba diz que mantém um toque regulador e que, por enquanto, não há falta de medicamentos nos hospitais.

“Preocupa muito [a possibilidade de faltar]. A SMS tem um estoque regulador para essas emergências. Porém, hoje o Brasil inteiro está comprando e as fábricas nem sempre conseguem produzir em tempo hábil. A Sesa [Secretaria Estadual da Saúde] tem feito pressão junto ao governo federal para fazer compras até no exterior”, finaliza.

Vale lembrar que o governador Ratinho Junior anunciou um consórcio dos estados da região Sul do Brasil. Ao lado dos governadores de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), os estados vão colaborar mutuamente para que não haja falta de nenhum medicamento.

Por fim, foi acertado um bloco para a compra de vacinas contra covid. Hoje, o governo do Paraná divulgou que formalizou a intenção de compra de 16 milhões de doses em carta enviada a oito laboratórios diferentes.

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