Curitiba estuda 250 casos suspeitos de reinfecção de covid-19

Angelo Sfair - BandNews FM Curitiba

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A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba acompanha cerca de 250 casos suspeitos de reinfecções pelo coronavírus. Segundo a pasta, dos 1.400 diagnósticos confirmados diariamente na capital, em média, de 3 a 4 casos se enquadram como suspeita de reinfecção. Até o momento, entre as investigações, não houve nenhum episódio comprovado.

Sendo esta variação do coronavírus a causadora de uma doença até então desconhecida, o que naturalmente gera muitas dúvidas, a comunidade científica internacional estabeleceu alguns critérios para definir o que é uma reinfecção. O primeiro caso reconhecido mundialmente, em Hong Kong, se deu a partir de duas cepas diferentes – ou seja, de vírus que compartilham semelhanças, mas que sofreram mutações significativas com o passar do tempo.

A infectologista Marion Burger, do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, explica que se trata de uma investigação complexa. Além disso, ocorre paralelamente ao cenário dificultado pela própria pandemia, que aumentou a demanda dos servidores e equipamentos públicos.

“Para se suspeitar de uma reinfecção, deve-se ter um intervalo de aproximadamente três meses entre os dois episódios comprovados laboratorialmente pela detecção do vírus e [que a pessoa] tenha ficado sem sintomas. Por isso essa investigação tem que ser feita tanto clinicamente quanto epidemiologicamente e também virologicamente. Tem que analisar o sequenciamento genético do vírus que causou tanto a primeira como a segunda infecção”, diz a especialista.

Desde o mês de junho, quando a possibilidade de reinfecção passou a ser considerada, mais de 250 pacientes de Curitiba que já haviam sido diagnosticados anteriormente com covid-19 voltaram a apresentar sintomas clínicos, e novamente foi detectada a presença do coronavírus em exames laboratoriais. Isso não significa, necessariamente, que se tratam de reinfecções. Para preencher os requisitos científicos de classificação, é necessário realizar a análise do sequenciamento genético dos materiais coletados.

Há cerca de um mês, o Ministério da Saúde definiu três laboratórios de referência para liderar esse processo: Instituto Evandro Chagas (Belém), Instituto Adolfo Lutz (São Paulo) e Fundação Oswaldo Cruz (Rio de Janeiro).

“Estão sendo separadas as amostras. Às vezes o primeiro diagnóstico foi feito em um laboratório privado e o segundo em laboratório público, então tem que reunir as duas amostras e encaminhar para o Lacen-PR [Laboratório Central do Estado do Paraná] que vai enviar para a Fiocruz, que é responsável pela região sul do Brasil”, explica Burger.

EQUIPES MONITORAM POSSÍVEIS CASOS DE REINFECÇÃO DO CORONAVÍRUS EM CURITIBA, DIZ SMS

Testes sendo feitos no Lacen-PR. (Jaelson Lucas / ANPr)

De acordo com Marion Burger, a Secretaria Municipal da Saúde mantém uma avaliação permanente dos casos suspeitos de covid-19. Quando um paciente recebe o diagnóstico positivo, e é detectado que essa pessoa já teve coronavírus dentro de um intervalo de tempo superior a 90 dias, automaticamente é listado como caso suspeito de reinfecção.

A partir desse momento, a rede de assistência dos 10 distritos sanitários de Curitiba passa a acompanhar caso a caso.

“Na medida do possível, nossas equipes entram em contato com esses pacientes para determinar se essa pessoa ficou assintomática, se teve contato com caso positivo no primeiro e segundo episódio. Todas essas questões que se são importantes para ver se encaixa mesmo como caso suspeito”, conta a epidemiologista da SMS.

Diante da possibilidade de reinfecção, a médica infectologista reforça que os protocolos sanitários devem ser seguidos à risca por todos – mesmo por aqueles que já se infectaram e estão recuperados da covid-19:

“Tanto as pessoas que já tiveram infecção pelo novo coronavírus como quem nunca teve devem tomar os mesmos cuidados. Se existe a possibilidade de reinfecção, é fundamental que as pessoas cuidem usando máscara e distanciamento”, finaliza Burger.

Ontem (9), o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso comprovado de reinfecção pelo coronavírus do Brasil. O registro veio do Rio Grande do Norte, de uma paciente de 37 anos, moradora de Natal, que teve covid-19 em junho e em outubro. Diante da primeira confirmação, a Sociedade Brasileira de Infectologia atualizou as recomendações sobre a doença, destacando que “a reinfecção ou segunda infecção parece incomum”, mas que “mesmo as pessoas que já tiveram covid-19 devem continuar praticando as medidas de prevenção”.

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