Curitiba renova decreto e Greca faz apelo: ‘pandemia está descontrolada’

Angelo Sfair

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Diante da lotação dos hospitais em Curitiba, a SMS (Secretaria Municipal da Saúde) renovou a bandeira vermelha até o dia 28 de março. Ao anunciar a prorrogação das medidas de restrição de circulação, o prefeito Rafael Greca (DEM) reconheceu que a disseminação do coronavírus está descontrolada na capital.

A Prefeitura de Curitiba atribui o momento crítico à circulação das novas cepas – as variantes do coronavírus são até 70% mais transmissíveis se comparadas ao vírus que causou a primeira onda. Embora a comunidade científica não tenha formado consenso de que as mutações tornam a doença mais grave, a SMS constatou uma mudança no padrão dos infectados, que tendem a agravar mais rapidamente, além de passar mais tempo internados.

Enquanto não existe, no horizonte próximo, a previsão de uma campanha de vacinação ampla, o prefeito Rafael Greca fez um apelo para que a população de Curitiba compreenda e faça adesão às medidas de restrição de circulação, apontadas pelo município como fundamentais para controlar a covid-19.

A maior privação da liberdade é a morte. O morto não consome, não vende e não fatura. Morto não faz ginástica e não vai ao parque. Morto não tem a liberdade de negar a pandemia, nem de fazer militância política”, afirmou Greca, em tom crítico ao negacionismo e àqueles que apregoam discursos que privilegiam a economia em da saúde pública.

Liberdade é viver”, completou.

COLAPSO NA SAÚDE

Em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (19), a Prefeitura de Curitiba reconheceu a gravidade do momento, reforçando que não há mais leitos vagos entre aqueles reservados para atender pacientes com covid-19. No entanto, garante que ainda não houve desassistência médica aos que procuraram a rede pública de saúde.

Questionada sobre a morte de pacientes que aguardavam a transferência para leitos hospitalares, a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak, confirmou que existem registros deste tipo em Curitiba, mas não informou quantos. Ela ponderou que muitos chegam aos hospitais em estado crítico. “O Brasil está em colapso”, resumiu.

De acordo com a secretária, abrir novos leitos não é a solução para conter a crise do sistema saúde. Segundo ela, sem interromper a cadeia de contágio do corovírus não é possível dar vazão à demanda. “Cada paciente internado ocupa o leito por cerca de 15 dias. Precisamos considerar que cada vaga aberta atende apenas duas pessoas por mês”, afirmou.

O prefeito Rafael Greca reafirmou que, até o momento, não faltou atendimento aos doentes que procuraram a rede pública, e que as Unidades de Pronto Atendimento estão preparadas para dar a assistência médica. Ele afastou o risco de faltar oxigênio, e disse que confia no Ministério da Saúde para a gestão de medicamentos necessários para intubação.

No entanto, reforçou que é preciso um esforço maior para minimizar a pressão sobre o sistema de saúde. “A pandemia está descontrolada. Nós precisamos, agora, de um momento de contenção. A sociedade toda que tem que desejar a cura”, disse o prefeito, defendendo a manutenção da bandeira vermelha por mais uma semana.

CURITIBA VAI RECORRER PARA MANTER ÔNIBUS EM CIRCULAÇÃO

Nesta sexta-feira (19), o TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná), por meio do presidente Fabio Camargo, orientou a suspensão do transporte público em Curitiba a partir deste sábado (20). Segundo o conselheiro, a medida é necessária para frear o avanço da covid-19 na capital paranaense.

Rafael Greca disse não ver com bons olhos a recomendação, embora tenha reconhecido a boa vontade do Tribunal. “Uma grande cidade precisa do ir e vir dos profissionais de saúde”, argumentou, afirmando que irá recorrer da decisão. Segundo o prefeito, a orientação é uma “sandice” resultante da inexperiência de Camargo, o mais jovem conselheiro do TCE-PR.

BANDEIRA VERMELHA: DECRETO RENOVADO

Nesta sexta-feira (19), a Prefeitura de Curitiba publicou um novo decreto para prorrogar a bandeira vermelha, pelo menos, até o dia 28 de março. O texto traz poucas modificações em relação às medidas que estavam em vigor desde a semana passada.

A mudança mais sensível é a permissão concedida aos restaurantes para que os estabelecimentos também trabalhem no sistema take away (retirada no balcão). Anteriormente, só era permitido o delivery (entrega em casa). O consumo no local continua proibido.

+ BANDEIRA VERMELHA: Confira a íntegra do novo decreto

As demais restrições continuam valendo, sobretudo a proibição de funcionamento das atividades comerciais ou prestação de serviços considerados não essenciais. A suspensão vale para ruas, galerias, centros comerciais ou shopping centers, em todas as modalidade de atendimento.

ATIVIDADES SUSPENSAS

  1. estabelecimentos destinados ao entretenimento ou a eventos culturais, tais como casas de shows, circos, teatros, cinemas, museus e atividades correlatas
  2. estabelecimentos destinados a eventos sociais e atividades correlatas, tais como casas de festas, de eventos ou recepções, incluídas aquelas com serviço de buffet, bem como parques infantis e temáticos
  3. estabelecimentos destinados a mostras comerciais, feiras de varejo, eventos técnicos, esportivos, congressos, convenções, entre outros eventos de interesse profissional, técnico e/ou científico
  4. bares, tabacarias, casas noturnas e atividades correlatas
  5. salões de beleza, barbearias, atividades de estética, imobiliárias, serviços de banho, tosa e estética de animais
  6. feiras de artesanato e feiras livres

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