Escassez de medicamentos preocupa em meio ao pico da pandemia

Angelo Sfair

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Além da falta de leitos e da demanda crescente por vagas em unidades de terapia intensiva e enfermarias do Paraná, a escassez de medicamentos é mais uma preocupação para os hospitais públicos e privados.

Nunca houve tantos pacientes internados simultaneamente. De acordo com o mais recente boletim do coronavírus da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), somados casos suspeitos e confirmados, 4.871 pessoas ocupam vagas em hospitais.

Além disso, outros 1.184 pacientes aguardam em filas, totalizando mais de 6 mil cidadãos internados ou no aguardo por um leito. Embora a fila tenha diminuído nas últimas 24 horas, cresceu a demanda por UTIs, cujo déficit atual é de 587 leitos.

A circulação das variantes mais contagiosas do coronavírus e a mudança de comportamento de parte dos cidadãos aumentou repentinamente o volume de internações. Consequentemente, cresceu o uso de anestésicos e demais medicamentos necessários para o procedimento.

O diretor-presidente do Hospital São Vicente, em Curitiba, afirma que a situação preocupa os médicos e gestores, uma vez que a falta destes remédios impediria o tratamento adequado aos pacientes graves. Além da restrição, o aumento da demanda inflacionou os preços.

“A falta insumos é uma preocupação. Não só a falta, mas também ou aumento do custo. O aumento do preço de alguns itens dificulta até mesmo a nossa capacidade de compra e de acesso a esses produtos”, disse Charles London, em entrevista ao Paraná Portal.

Conforme o médico, o hospital tem um estoque suficiente para manter o ritmo dos atendimentos por mais 20 dias. Segundo ele, apesar da preocupação, ainda não faltam medicamentos essenciais.

A previsão do Hospital São Vicente vai de encontro à realidade apresentada na rede pública pelo secretário de Estado da Saúde do Paraná, Beto Preto. Ao anunciar a flexibilização das medidas de restrição, uma semana atrás, o chefe da pasta alertou para a falta de insumos.

“Atualmente, temos um estoque suficiente para mais 25 dias”, disse Beto Preto. Naquela ocasião, apesar de reconhecer as dificuldades, ele afirmou que não havia risco iminente de faltarem medicamentos ou cilindros de oxigênio para atender os pacientes graves.

PACIENTES MAIS JOVENS. INTERNAÇÕES MAIS LONGAS

Outro fator que colabora com o déficit de leitos no Paraná é a mudança do perfil dos infectados. Mais jovens e mais resistentes, muitas vezes sem comorbidades ou doenças associadas, estes pacientes permanecem mais tempo internados.

“Ocorreram algumas mudanças de características e permanência dos pacientes. Temos mais pacientes jovens e que ficam mais tempos internados. Com melhores condições de saúde, eles permitem um tratamento prolongado”, apontou Charles London.

O médico também aponta que, após um ano de pandemia, as equipes estão mais preparadas e têm mais recursos técnicos para decidirem pelo tratamento mais eficiente.

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