Escassez de medicamentos promove “corrida diária”, diz secretário da Saúde de Guaratuba

Angelo Sfair

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A escassez de insumos e medicamentos necessários para atender pacientes com quadros graves de covid-19 preocupa gestores da saúde de Guaratuba e do litoral do Paraná. Embora não tenha faltado atendimento, a estrutura nem sempre é a ideal.

A 1ª Regional de Saúde do Paraná, responsável pelos sete municípios litorâneos, conta apenas com o HRL (Hospital Regional do Litoral) como unidade de referência.

Com 80% das UTIs para covid-19 ocupadas neste hospital, a pressão recai sobre as unidades de pronto atendimento dos municípios. Segundo o secretário municipal da saúde de Guaratuba, Gabriel Modesto, o cenário é preocupante.

“Nós estamos aqui em Guaratuba manejar esse paciente, o que não é ideal. O ideal não é manter o paciente aqui, por mais que a gente tenha contratado equipe e conseguido comprar insumos”, disse ele, em entrevista ao Paraná Portal.

Para evitar transferências que coloquem os pacientes graves em risco, alguns são mantidos nas unidades de pronto atendimento, que passaram a realizar procedimentos complexos.

“Também estamos com dificuldades de comprar anestésicos para manter esse paciente intubado na nossa unidade. É uma corrida diária. A gente compra o medicamento para a próxima semana, e passa a semana inteira comprando para a próxima”, relata.

MUNICÍPIOS DO LITORAL DE UNEM PARA EVITAR COLAPSO

De acordo com Gabriel Modesto, o colapso não ocorreu completamente devido à boa relação entre os sete municípios do litoral do Paraná.

“Muito apoio mútuo entre os municípios. Pontal do Paraná nos emprestou um respirador, nós emprestamos oxigênio para eles, repassamos anestésicos para Matinhos”.

“Então, enquanto municípios do litoral, nós temos nos ajudado muito nesse momento de pré-colapso do sistema. Nenhum paciente deixou de ser atendido, mas existe toda essa dificuldade”, resumiu.

NÃO EXISTE TRATAMENTO PRECOCE CONTRA COVID-19, LEMBRA PREFEITO

Em entrevista ao Paraná Portal, o prefeito de Guaratuba, Roberto Justus, elogiou a postura dos moradores, mas pediu respeito às medidas restritivas pelos veranistas. Sobretudo, pediu colaboração nas barreiras sanitárias.

“A gente não pode deixar de lembrar que essa doença se espalha muito rápido e não existe tratamento. Não tem um remédio. Não existe uma saída que não seja, hoje, a vacina”, afirmou.

Nessa situação, ele reafirmou as medidas preventivas necessárias para o momento.

“Enquanto a vacina não chega é muito importante que as pessoas evitem sair de suas casas. E, quando sair, que usem máscaras e mantenham o distanciamento social. Isso pode fazer a diferença entre a vida e a morte”.

GUARATUBA: FURAR BARREIRA SANITÁRIA LEVA À MULTA

Só no final de semana passado, 672 veículo foram impedidos de ultrapassar as barreiras sanitárias. Eram moradores de Curitiba e de outros municípios que insistiam em não respeitar as regras. Os barrados precisaram retornar para a cidade de origem.

O prefeito Roberto Justus afirma que as pessoas que furarem a barreira serão responsabilizadas. “Só temos duas entradas. Nas duas temos câmeras de monitoramento que leem as placas dos veículos”, alertou.

“Se a pessoa entra, a gente identifica o condutor, além de responder por processos administrativos e multas, ela também vai responder por desacato ao servidor público e pode responder por crimes contra a saúde pública”.

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