Estudo português mostra imunidade até 10 meses após infecção pelo novo coronavírus

Redação

estudo de Portugal sobre imunidade

Uma pesquisa realizada pela Ordem dos Médicos de Portugal em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e fundações ligadas à saúde no país chegou à conclusão de bem menos da metade das pessoas que foram infectadas  pelo novo coronavírus ainda tinham imunidade dez meses depois do contágio. Os dados preliminares do estudo foram apresentados nesta quarta-feira, segundo informações veiculadas pela agência Lusa.

De acordo com o estudo, 37% das cerca de 600 pessoas analisadas desde março de 2020 mantinham imunidade. E as pessoas que tiveram covid-19 com mais gravidade apresentaram mais anticorpos.

Um dos responsáveis pelo estudo, o médico infectologista Francisco Antunes disse que, nos doentes hospitalizados (06% da amostra), “menos de 10% apresentam-se sem imunidade dez meses depois de serem infetados, o que indica, “regra geral, uma imunidade mais robusta e duradoura do que nos indivíduos com sintomas ligeiros ou assintomáticos”.

Já a pesquisadora Helena Canhão, da Universidade Nova de Lisboa, afirmou que o estudo, por acompanhar as mesmas pessoas ao longo de vários meses, poderá permitir identificar “fatores preditivos” que podem influenciar a imunidade que as pessoas desenvolvem.

Além de outros dados, o estudo mostrou que a imunidade é maior nas pessoas da amostra com mais idade.

“Quando a pessoa desenvolve anticorpos, isso depende da resposta imune, da agressividade do agente infeccioso e de estar mais ou menos exposta à carga viral”, afirmou Helena Canhão.

Segundo a pesquisadora,  há vários fatores desconhecidos em relação ao SARS-CoV-2 e que não permitem ainda ter certezas quanto à sua relação com os hospedeiros humanos.

“Pode acontecer que mesmo em infecções com poucos sintomas, as pessoas têm um nível de anticorpos que lhes permita estarem protegidas de reinfecções ou de infecções com mais gravidade. É isso que ainda estamos a tentar perceber”, disse.

Cuidados com passaportes de imunidade

Para Francisco Antunes, dar “passaportes de imunidade” às pessoas que já foram infectadas, independentemente da gravidade dos sintomas ou de terem estado assintomáticas, “tem questões que devem ser levantadas”.

“Com estes indivíduos, já se sabe que as reinfecções são mais frequentes do que inicialmente se pensava. Muito em particular com as variantes mais transmissíveis e que podem ser mais graves. Esta população tem que ter o mesmo comportamento em relação às medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, o distanciamento e a higienização, que têm que ser exatamente idênticas às adotadas pelos indivíduos que nunca foram infectados”, defendeu.

Os resultados do estudo

  • Das 608 pessoas envolvidas no estudo, 24% não tiveram anticorpos e dos 76% restantes, alguns foram-nos perdendo ao longo do tempo e em outras a quantidade de anticorpos aumentou de análise para análise.
  • Os assintomáticos representam 19% da amostra e 44% têm mais de 50 anos.
  • Todas foram contagiadas na primeira vaga da pandemia, em março e abril, e foram fazendo análises serológicas regulares.
  • A maioria (76%) são mulheres e 24% são homens. A maioria (42%) mora no sul do país, 36% na região Norte e 22% na região Centro.
  • Metade das pessoas analisadas são profissionais de saúde e cerca de um terço utentes e funcionários de residências para idosos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.408.243 mortos no mundo, resultantes de mais de 109 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 

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