Em um mês, número de jovens infectados dobra, e médico alerta para ‘Covid delivery’

Angelo Sfair

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O número de jovens infectados pelo coronavírus em Curitiba praticamente dobrou em um intervalo de quatro semanas. Apesar de pessoas desta faixa-etária estarem menos propensas a desenvolver a forma grave da Covid-19, são vetores da doença, podendo transmitir o vírus para idosos ou pessoas do grupo de risco dentro do convívio familiar.

De acordo com o Painel Covid-19, elaborado semanalmente pela SMS (Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba), dos mais de 92 mil casos confirmados de coronavírus na capital, 57.511 são de jovens com idades entre 20 e 49 anos. O balanço considera os boletins divulgados até 10 de dezembro. Quatro semanas antes, até 13 de novembro, eram 35.988 diagnósticos dentro desta faixa-etária.

Desde novembro a SMS vem reforçando o alerta para que os jovens se preocupem em não serem vetores da Covid-19. “Temos muitos casos de jovens que vão num churrasco e saem sete pessoas contaminadas. Por causa de eventos como esse há muita transmissão intrafamiliar”, disse a secretária Márcia Huçulak, ao anunciar o retorno da capital à bandeira laranja.

Entre os jovens, o número de casos que necessitam internamento é pequeno, mas não irrelevante. Conforme o Painel Covid-19, quando maior a idade, maior a probabilidade de desenvolver um quadro mais grave. Entre os jovens de 20 a 29 anos, a taxa de internamento é de 1%; de 30 a 39 anos, 3%; entre os que tem de 40 a 49 anos, o índice sobe para 7%.

Segundo o médico pneumologista Barros Franco, uma das principais preocupações atuais é o comportamento dos jovens, que se expõem mais ao vírus ao frequentarem bares e festas. No consultório, ele tem comprovado o que chama de covid delivery: um jovem tem contato com o vírus na rua acaba transmitindo a doença para uma ou mais pessoas que convivem na mesma casa.

“Eles saem, passeiam, tomam um chope. Provavelmente depois do terceiro chope ninguém está usando mais máscara. Adianta muito pouco a pessoa se cuidar, se conviver na mesma casa com pessoas jovens que estão levando uma vida normal”, alertou o médico.

Ao Jornal da Band, ele detalhou o fenômeno visto em todo o Brasil. “Eu digo até que nós [pneumologistas] estamos fazendo, hoje em dia, medicina da família. Porque nós atendemos, atualmente, três, quatro, cinco pessoas que vivem na mesma casa”, relatou.

Em novembro, a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba relatou o caso de uma jovem, que após contrair Covid-19 em uma festa, transmitiu o coronavírus para 18 pessoas. Três morreram.

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