Março tem recordes de casos, mortes e internações por covid-19 no Paraná

Vinicius Cordeiro

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Março de 2021 ficará marcado como um dos períodos mais difíceis da pandemia de covid-19 no Brasil. No Paraná, os números de casos, mortes, internados e a fila por leitos explodiram. Confira o balanço mensal:

Foram 4.171 mortes ao longo de março, algo que representa mais que o dobro dos 1.737 óbitos confirmados em fevereiro. O recorde de vítimas em um mês durante a pandemia até então era de dezembro, com 2.089 mortes.

Os infectados por covid-19 também tiveram alta recorde. Foram 136.886 casos confirmados, superando as 128.784 confirmações de dezembro e os 99.902 casos de fevereiro. Ou seja, o aumento de um mês para o outro foi de 37%.

Diante dos números, a taxa de letalidade (relação entre casos e mortes) cresceu no Paraná chegou a 3% pela primeira vez. O recorde até então era de agosto, com a taxa em 2,32%.

O avanço exponencial é atribuído à variante brasileira da covid-19, chamada de P1 e identificada em Manaus. Com esse cenário, a região Sul se tornou epicentro da pandemia e o coronavírus impôs o maior caos registrado no sistema de Saúde desse século.

“A situação de março foi a pior que enfrentamos, a gente previu que seria o pior março da nossa geração”, avalia o médico Clovis Arns, presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia)

Ao participar da reunião de vereadores na Câmara Municipal de Curitiba nesta quinta-feira (1), o especialista ressaltou que os números nacionais de março também são os piores. O mês registrou 66,9 mil mortes, mais que o dobro dos 30 mil mortes em julho do ano passado.

“Era uma situação que a gente não imaginava como profissional. Eu vou fazer 34 anos de medicina e jamais pensei que iria enfrentar uma situação de ter pacientes intubados no pronto-atendimento, não ter equipe médica”, completou.

NÚMERO DE INTERNADOS COM COVID-19 NO PARANÁ TAMBÉM BATE RECORDE EM MARÇO

Além dos casos e mortes por covid-19 no Paraná, o número de internados também é recorde. 2.229 pessoas estão em UTIs, sejam públicas ou particulares. Isso é o dobro do que foi registrado em julho de 2020, o primeiro pico da doença. Para se ter noção da comparação, o primeiro dia de março registrava apenas 1.452 pacientes com casos graves.

A fila de espera chegou ao ápice no dia 17 de março, quando 1.343 aguardavam por uma vaga (em enfermaria ou UTI). O número mais que dobrou em duas semanas, já que no início do mês eram 616 pessoas. Hoje, são 844 pacientes precisando de internação. Os dados constam no painel da transparência atualizado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde).

Com a alta demanda, o governo do Paraná busca expandir a quantidade de vagas nos hospitais. Em março, foram ativados 1.447 novos leitos (493 são de UTI e 954 enfermarias) exclusivos para tratamento da covid-19.

Com a ampliação, o Paraná dispõe de um total de 4.712 leitos ativos: 1.794 de UTI adulto, 2.896 de enfermaria adulto, 22 de UTI pediátrica e 34 de enfermaria pediátrica.

Contudo, o governo ainda pede auxílio do Ministério da Saúde na busca por medicamentos usados nos pacientes com covid. Há preocupação extrema com os estoques de bloqueadores neuromusculares, usados na sedação dos pacientes intubados.

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