Covid-19: Paraná não consegue comprar medicamentos usados para manter pacientes sedados

Mirian Villa

O consumo de bloqueadores neuromusculares teve aumento de 8.000% (oito mil) no consumo em menos de um mês, no Estado
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Com a alta procura em todo Brasil pelos medicamentos essenciais para pacientes com Covid-19 internados em UTIs (Unidade de Terapia Intensiva), a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) relata um cenário caótico na Saúde após a explosão de casos da Covid-19 no final de fevereiro e março no Paraná.

O Estado não consegue comprar medicamentos usados para manter pacientes sedados. “O consumo de neuromusculares teve um aumento sem precedentes, foi um aumento de 8.000% (oito mil) no consumo em menos de um mês”, explica o chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, César Neves.

A conversa do governo do estado pedindo o envio de novos medicamentos para o Ministério da Saúde, segundo Neves, é diária. Porém, com a alta procura nacional pelo chamado “kit intubação”, nem o próprio governo federal consegue comprar os insumos.

Isso acontece porque as indústrias estão com dificuldade em encontrar o princípio ativo dos medicamentos. “Nós estamos pedindo para o ministério, que tem poder de fazer requisições administrativas, pegar os medicamentos na indústria e distribuir para os estados.”

PARANÁ DISTRIBUI MEDICAMENTOS DA “LINHA B” COMO ALTERNATIVA

Com baixo estoque, as indústrias priorizam as chamadas compras centralizadas, que são feitas pelos governos federal, estadual e municipal. Como alternativa, hoje o Paraná distribui remédios da chamada “linha B”, que são drogas mais antigas que não estavam em uso e que podem ser administradas em pacientes internados com Covid-19.

“Antes eram 63 hospitais exclusivos para a Covid-19, hoje eu tenho pacientes em UPAs e hospitais de pequeno porte intubados…coisa que não existia. São 700 pessoas esperando por um leito de UTI, é um cenário de caos. Estamos tentando tudo que é possível”, diz Neves.

Além da falta de medicamentos usados para manter pacientes de UTI sedados no Paraná, outro problema que o sistema de saúde público enfrenta é a capacitação dos profissionais de unidades básicas que foram transformadas em leitos.

“Vamos distribuir um manual de ação de condução especialmente para pequenos hospitais e UPAs para acontecer o uso racional e técnico do remédio. Equipes também vão visitar as unidades para ajudar no manejo da linha A e linha B”, conclui Neves.

Nesta quarta-feira (17), o estoque desses remédios -Rocuronio, Propofol, Atracúrio, entre outros- está reduzido, mas as unidades hospitalares do Estado ainda contam com os insumos, de acordo com a Sesa.

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