Coronavírus
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Proteção contra Covid beira 100% com terceira dose de vacina, diz estudo

Um estudo realizado com 1.310 colaboradores do Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que após a terceira dose do im..

Patrícia Pasquini - Folhapress - 22 de dezembro de 2021, 08:30

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Um estudo realizado com 1.310 colaboradores do Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que após a terceira dose do imunizante contra a Covid-19 a produção de anticorpos sobe para 99,7%, muito perto da totalidade.

O trabalho teve o apoio do Instituto Todos pela Saúde, do Itaú. Para ampliar a proteção contra a variante ômicron, no sábado (18), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou a redução do intervalo de aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19 de cinco para quatro meses.

Os participantes da pesquisa estavam em acompanhamento desde o início da pandemia e receberam as duas primeiras doses da Coronavac e o reforço da Pfizer. A dosagem de anticorpos é uma das formas de medir a proteção de uma vacina.

Para a infectologista do Hospital das Clínicas e responsável pelo estudo, Silvia Figueiredo Costa, provavelmente, se as duas primeiras doses tivessem sido de outro imunizante, a resposta seria semelhante, o que ressalta a importância do reforço. Porém, não é possível confirmar essa hipótese no momento, uma vez que estudos sobre a dose de reforço começaram a sair recentemente.

"O que nos deixa mais tranquilos, como parte da população brasileira, do Chile e de outros países receberam a primeira e a segunda dose da Coronavac, após o reforço com a vacina de outro fabricante houve essa pontuação bem elevada de produção de anticorpos", avalia Costa.

O reforço não impede as formas leves da doença, mas protege da hospitalização. "Nós não tivemos nenhum caso com a terceira dose que tenha sido internado", afirma.

Para a análise, os anticorpos foram medidos quatro vezes e as amostras de soro coletadas submetidas ao teste de anticorpos da classe IgG (Imunoglobulina G) pelo método de quimioluminescência.

"É um teste de última geração, o mesmo método do ano passado, mas que agora está avaliando três partes da proteína S na África, que está com baixa taxa de vacinação e em alguns países na Ásia para que não tenhamos novas variantes circulando. Os dados com a ômicron mostram que a terceira dose, dependendo da vacina tomada anteriormente, têm uma produção de anticorpos de 70%", diz a médica.

O trabalho ainda sequenciou amostras de funcionários do grupo estudado que testaram positivo para Covid-19 ao longo da pesquisa e observou que, entre os meses de março e julho, houve predominância de infecções causadas pela variante gama (P.1): março, 91%; abril, 98,5%; maio, 98,9%; junho, 100%; e julho, 88,5%.

A delta começou a ser identificada também em julho entre funcionários do HC, quando era 6,5% dos casos, e nos meses seguintes tornou-se predominante: agosto, 79,8%; setembro, 97,4%; outubro e novembro, 100%.

Esse sequenciamento não detectou a presença da ômicron. "Mesmo no Brasil está havendo uma procura menor pela terceira dose, o que nos preocupa bastante. Indivíduos com alguma doença de base e população acima de 60 anos sem a terceira dose podem sofrer um impacto maior na manifestação clínica da Covid-19 e necessidade de hospitalização, e podemos evitar isso", afirma a médica.

A médica orienta que a terceira dose é importante, mas não deve ser encarada como um passaporte para a não adesão ao distanciamento social e ao uso de máscara, pois a população pode ter a forma assintomática da Covid-19 e transmitir, inclusive para as crianças. "A pandemia não acabou e temos que evitar o surgimento de variantes."

O Governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (20) a prorrogação da obrigatoriedade do uso de máscara em espaços coletivos até 31 de janeiro de 2022. O objetivo é aumentar a proteção contra a Covid-19, do influenza, causador da gripe, e de outros vírus respiratórios.