Vacina russa Sputinik V ficou para trás em relação às outras, diz deputado do Paraná

Vinicius Cordeiro

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Os testes da vacina russa Sputinik V só deverão ser iniciados no Brasil nos primeiros meses de 2021. A informação está presente em um relatório apresentado nesta terça-feira (15) e produzido pelos 31 deputados que compõem a Frente Parlamentar do Coronavírus na Assembleia Legislativa do Paraná.

“Na melhor das hipóteses, eles começam no fim de janeiro ou início de fevereiro. Isso coloca essa vacina um pouco para trás em relação às vacinas do Butantan, Pfizer e AstraZeneca. Essa é a verdade e isso não significa que ela seja melhor ou pior”, explica o deputado Michele Caputo (PSDB) ao Paraná Portal.

Em agosto, um convênio feito o governo do Paraná, por meio do Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) e o Instituto Gamaleya de Moscou determinou a transferência de tecnologia e produção da vacina no estado. A partir de então, foi divulgado que os testes seriam iniciados no Estado a partir do mês de outubro, o que não aconteceu.

Segundo o relatório da Alep, o Tecpar explica que o atraso se deve ao fato do fundo de investimento russo ter formalizado uma parceria com uma indústria farmacêutica privada. Com isso, a empresa paranaense aguarda definições dos europeus para o processo avançar. “Os russos querem dividir o processo em três, um grupo que vai cuidar da parte comercial, um da produção e outro da parte científica. Pra mim, o Tecpar entraria nesse componente científico”, completa Caputo.

Os deputados também defendem que o Paraná faça acordos de intenção de compras da vacinas com vários fornecedores mesmo que os laboratórios não tenham o registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A recomendação ao governo estadual foi feita já que esses contratos não incluem obrigatoriedade de compra e colocam o Estado na lista prioritária para recebimento da vacina.

O Paraná já reservou R$ 200 milhões para compra de vacinas, sendo metade do valor desembolsado pelo governo, por meio da Sesa (Secretaria da Saúde) e a outra parte obtida por repasse dos cofres da Assembleia Legislativa.

NÃO VOU FAZER DO PARANÁ UM POVO COBAIA, DIZ GOVERNADOR 

Governador Ratinho Junior. (Geraldo Bubniak/AEN)

Ontem (14), o governo da Rússia e Instituto Gamaleya anunciaram que a Sputinik V tem eficácia de 91,4%, segundo relatório final da fase 3. Esse foi o terceiro anúncio sobre a eficiência do imunizante contra o coronavírus. Os dois anteriores eram análises parciais da última fase de testes com voluntários. Contudo, os novos dados ainda não foram revisados e publicados em qualquer revista científica até o momento.

A divulgação animou o governo do Paraná. Em entrevista à Globo News, o governador Ratinho Junior (PSD) reconhece que o a vacina russa é tratada com muita discrição pela administração estadual, mas que os avanços pode acontecer nos próximos dias.

“Não vou fazer do Paraná um povo cobaia. Vamos avançar nas vacinas que tiverem qualquer tipo de comprovação científica, esse é o nosso compromisso. Acreditamos que com esse anúncio do Gamaleya e, sendo publicado por uma revista científica de renome mundial, esse avanço pode acontecer nos próximos dias. Não quero ter a irresponsabilidade de colocar data. Quem faz isso é o corpo científico e a Anvisa. A gente espera o quanto antes, mas quem diz isso é a ciência”, disse ele durante a manhã.

Ratinho Junior ainda revelou que o objetivo do Paraná é criar mais uma alternativa ao Ministério da Saúde para que a Sputinik seja incluída no PNI (Plano Nacional de Imunização) do governo federal.

“É uma ilusão criar uma falsa expectativa para a população que apenas um laboratório consiga fazer uma produção mundial. Teremos que ter três, quatro ou até mais laboratórios para que dê conta de vacinar sete milhões habitantes do mundo. Não é o laboratório russo que vai resolver o problema dos brasileiros e nem o Sinovac ou até mesmo a Pfizer”, finalizou.

DEPUTADO VISITOU LABORATÓRIOS PARA TER MAIS INFORMAÇÕES SOBRE VACINA

Os deputados da frente parlamentar do coronavírus vem realizando visitas e reuniões no Instituto Butantan, apto na produção da CoronaVac, e no laboratório da Pfizer, responsável pela vacina contra a covid-19 que está sendo aplicada no Reino Unido, Canadá e Estados Unidos. Também foi agendada uma visita na Fiocruz, que desenvolve os estudos da vacina de Oxford, para o início de 2021.

“A intenção nossa foi visitar as quatro vacinas que estavam no nosso alcance. Queremos que os R$ 200 milhões [reservados pelo governo para a vacina] possam ser utilizados na medida mais rapidamente e mais paranaenses para imunizar. Temos que lembrar que a situação está muito difícil”, destaca o deputado Michele Caputo sobre o avanço do coronavírus no Paraná.

Conforme o último boletim da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), são 329.297 casos confirmados e 6.744 mortes por coronavírus. A taxa de ocupação das UTIs da rede pública é de 89%.

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