Entraves técnicos emperram Sputnik V, ainda sem previsão para testes no Brasil

Angelo Sfair

sputnik v, vacina, sputnik, anvisa, informações falsas, gustavo mendes

Anunciada com entusiasmo pelo governo do Paraná, em setembro, a Sputnik V enfrenta problemas técnicos no Brasil e ainda não há prazo para que sejam iniciados os testes em território nacional. A candidata a vacina contra Covid-19 do Instituto Gamaleya de Moscou firmou acordo de cooperação técnica com o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná).

Ao fazer o anúncio oficial, o Palácio Iguaçu afirmou que submeteria o protocolo de validação da fase 3 dos ensaios clínicos da Sputnik V até o final de setembro. No entanto, até agora, a Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) ainda não foi acionada.

Segundo o Tecpar, após a assinatura do memorando de entendimentos para cooperação técnica entre o governo do Paraná e o RDIF (Fundo de Investimento Direto da Rússia), o órgão trabalha com a tradução dos relatórios e com a elaboração da documentação exigida pela Anvisa. O instituto reconhece dificuldades na condução do processo.

“Diante de revisões no projeto pelo Fundo de Investimento Direto da Rússia ocorridas nos últimos meses no Brasil, o Tecpar aguarda a definição do parceiro russo sobre ações de cooperação do instituto paranaense no projeto”, diz o órgão, em nota ao Paraná Portal.

O Tecpar explica que ainda faltam informações técnicas fundamentais para a submissão da documentação relativa à fase 3 dos ensaios clínicos. Assim, responsabiliza os russos pelo atraso no protocolo de validação junto à Anvisa.

Procurado pela reportagem, o Fundo de Investimento Direto da Rússia não disponibilizou porta-voz para entrevistas. Em nota, o órgão se resumiu a dizer que “a negociação está em andamento”. Não há previsão de quanto processo será concluído.

Ao Paraná Portal, a Anvisa confirmou que, até esta quinta-feira (9), não havia nenhum pedido de ensaios clínicos da Sputnik V no Brasil. No último dia 18, em Brasília, representantes da Rússia participaram de uma reunião com os técnicos da Agência para tirar dúvidas sobre a documentação necessária para iniciar os testes e para a futura submissão do processo de registro.

SPUTNIK V USA TECNOLOGIA SEMLHANTE À VACINA DA ASTRAZECA/OXFORD

A Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou, utiliza de adenovírus modificados para provocar resposta imune contra a Covid-19. Segundo o governo russo, a eficácia é de 92%, mas o estudo ainda precisa ser revisado e publicado. Em duas doses, a proteção chega a 95%.

A tecnologia da vacina russa, conhecida como vetor viral, é a mesma usada pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Nesta terça-feira (8), os cidadãos da Inglaterra começaram a ser imunizados com esta vacina.

A vacina desenvolvida pela Janssen – braço farmacêutico da Johnson & Johnson -, que também é testada no Brasil, é outro imunizante baseado na técnica do vetor viral. Os resultados preliminares da fase 3 ainda não foram concluídos.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="733703" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]