Entraves técnicos emperram Sputnik V, ainda sem previsão para testes no Brasil

Angelo Sfair

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Anunciada com entusiasmo pelo governo do Paraná, em setembro, a Sputnik V enfrenta problemas técnicos no Brasil e ainda não há prazo para que sejam iniciados os testes em território nacional. A candidata a vacina contra Covid-19 do Instituto Gamaleya de Moscou firmou acordo de cooperação técnica com o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná).

Ao fazer o anúncio oficial, o Palácio Iguaçu afirmou que submeteria o protocolo de validação da fase 3 dos ensaios clínicos da Sputnik V até o final de setembro. No entanto, até agora, a Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) ainda não foi acionada.

Segundo o Tecpar, após a assinatura do memorando de entendimentos para cooperação técnica entre o governo do Paraná e o RDIF (Fundo de Investimento Direto da Rússia), o órgão trabalha com a tradução dos relatórios e com a elaboração da documentação exigida pela Anvisa. O instituto reconhece dificuldades na condução do processo.

“Diante de revisões no projeto pelo Fundo de Investimento Direto da Rússia ocorridas nos últimos meses no Brasil, o Tecpar aguarda a definição do parceiro russo sobre ações de cooperação do instituto paranaense no projeto”, diz o órgão, em nota ao Paraná Portal.

O Tecpar explica que ainda faltam informações técnicas fundamentais para a submissão da documentação relativa à fase 3 dos ensaios clínicos. Assim, responsabiliza os russos pelo atraso no protocolo de validação junto à Anvisa.

Procurado pela reportagem, o Fundo de Investimento Direto da Rússia não disponibilizou porta-voz para entrevistas. Em nota, o órgão se resumiu a dizer que “a negociação está em andamento”. Não há previsão de quanto processo será concluído.

Ao Paraná Portal, a Anvisa confirmou que, até esta quinta-feira (9), não havia nenhum pedido de ensaios clínicos da Sputnik V no Brasil. No último dia 18, em Brasília, representantes da Rússia participaram de uma reunião com os técnicos da Agência para tirar dúvidas sobre a documentação necessária para iniciar os testes e para a futura submissão do processo de registro.

SPUTNIK V USA TECNOLOGIA SEMLHANTE À VACINA DA ASTRAZECA/OXFORD

A Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou, utiliza de adenovírus modificados para provocar resposta imune contra a Covid-19. Segundo o governo russo, a eficácia é de 92%, mas o estudo ainda precisa ser revisado e publicado. Em duas doses, a proteção chega a 95%.

A tecnologia da vacina russa, conhecida como vetor viral, é a mesma usada pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Nesta terça-feira (8), os cidadãos da Inglaterra começaram a ser imunizados com esta vacina.

A vacina desenvolvida pela Janssen – braço farmacêutico da Johnson & Johnson -, que também é testada no Brasil, é outro imunizante baseado na técnica do vetor viral. Os resultados preliminares da fase 3 ainda não foram concluídos.

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