Entenda as diferentes tecnologias de vacinas em teste contra a Covid-19

Angelo Sfair

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A pandemia da Covid-19 é responsável pela maior corrida tecnológica dos últimos anos. Laboratórios espalhados por todo o mundo usam técnicas diferentes em busca de um mesmo objetivo: uma vacina capaz de frear o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Identificado pela primeira vez há pouco mais de um ano, o vírus causador da Covid-19 já totaliza mais de 59 milhões de infecções e é o responsável direto por 1,4 milhão de mortes.

Os desafios impostos  pelo novo coronavírus aos sistemas públicos de saúde fizeram com que dezenas de países decretassem lockdown. Grandes nações, como Itália, Espanha e Estados Unidos, perderam milhares de vidas devido à falta de equipamentos hospitalares.

Todos os dias, notícias sobre vacinas contra a Covid-19 renovam a esperança pelo expurgo da doença. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 10 candidatas estão na fase três de testes — a última antes do registro e distribuição.

Ao Paraná Portal, o médio infectologista Bernardo Machado de Almeida, do Serviço de Epidemiologia do HC (Hospital de Clínicas), explica as diferenças entre as principais tecnologias empregadas no desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19.

VÍRUS ATENUADO OU VÍRUS DESATIVADO

Tecnologia consagrada por diversas vacinas no mercado, usar o próprio vírus causador da doença é uma das possibilidades para provocar uma reação imunológica. Essa é, por exemplo, a técnica usada na CoronaVac, a vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinovac Biotech e testada no Brasil em parceria com o Instituto Butantan.

Essa vacina usa o coronavírus desativado como gatilho para a produção de anticorpos. “São vírus que não inoculam, mas conseguem gerar uma resposta imunológica muito parecida àquela gerada pela própria infecção”, explica o infectologista. Segundo o médico, a resposta se deve ao contato dos anticorpos com as proteínas do vírus original.

Ainda não foram divulgados os resultados preliminares da CoronaVac, mas os testes da fase 3 encontram-se na reta final, de acordo com o Instituto Butantan.

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Vírus é modificado, enfraquecido ou totalmente inativado, de forma a causar a reação imune sem desenvolver a doença (Reprodução/OMS/Nature)

VETOR VIRAL

Entre as vacinas que usam a tecnologia do vetor viral está a do laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Nesta segunda-feira (23), resultados preliminares indicam eficácia de até 90% contra o novo coronavírus.

A técnica do vetor viral se aproveita de vírus já existentes, nos quais os genes de interesse são inseridos, mas sem causar a doença. “Injeta-se o RNA e ele se aproveita da célula para produzir as proteínas necessárias. Essas proteínas geram a resposta imune”, detalha Bernardo Machado de Almeida.

A vacina desenvolvida pela Janssen – braço farmacêutico da Johnson & Johnson -, que também é testada no Brasil, é outro imunizante baseado na técnica do vetor viral. Os resultados preliminares da fase 3 ainda não foram concluídos.

A Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou, também se aproveita de adenovírus modificados para provocar resposta imune contra a Covid-19. Segundo o governo russo, a eficácia é de 92%, mas o estudo ainda precisa ser revisado e publicado.

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O gene do patógeno é inserido dentro de outro vírus, simulando uma infecção sem causar a doença (Reprdução/OMS/Nature)

VACINA DE RNA

Considerada a tecnologia mais disruptiva entre as que estão em teste contra a Covid-19, a vacina de RNA pode representar uma quebra de paradigma para as ações de controle e combate às doenças causadas por vírus.

Entre os imunizantes que utilizam esta técnica estão os desenvolvidos pela Pfizer, em parceria com a BioNTech, e pela Moderna. O primeiro divulgou uma eficácia de 90%, e o segundo pode ser até 95% eficaz para combater o novo coronavírus.

O infectologista Bernardo Machado de Almeida explica que o método, em vez de utilizar o vírus inteiro, introduz no organismo apenas o código genético responsável por gerar a resposta imune.

“Uma vez dentro do organismo, o próprio indivíduo, a partir desses RNAs, vai produzir a proteína que, por sua vez, vai gerar a resposta imune”, detalha. “É um pouco complexo esse conceito, mas é por isso que ele é bastante inovador”, conclui.

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RNA viral, uma vez introduzido no organismo, estimula a produção das proteínas e gera a resposta imune (Reprodução/OMS/Nature)

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