União diz que nenhum laboratório pediu registro para vacinação emergencial e rebate plano de Doria

Larissa Garcia - Folhapress

Governo de São Paulo garante eficácia da Coronavac, mas adia divulgação dos dados

O Ministério da Saúde divulgou, neste domingo (13), um vídeo rebatendo o anúncio do cronograma de vacinação de São Paulo. Além disso, a pasta afirma que nenhum laboratório pediu à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), até agora, registro para uso emergencial da vacina.

Na gravação, o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, faz críticas duras ao governador do estado, João Doria (PSDB), e afirma que é “mais um devaneio” e que ele está “sonhando acordado”.

No vídeo, o secretário explica ainda a diferença entre autorização emergencial, feita apenas com grupo restrito, e registro definitivo. “Vacinação com autorização emergencial pode compreender apenas a vacinação de um grupo restrito.”

Ele afirma ainda que crianças e grávidas não poderão ser imunizadas. “Destaco que não há segurança para vacinar grupos que não participaram dos testes clínicos, como, por exemplo, grávidas e crianças”, diz.

O vídeo foi veiculado apenas no canal da pasta no YouTube e não foi compartilhado em outras redes sociais ou com jornalistas.

Em 7 de dezembro, Doria anunciou para 25 de janeiro o início da vacinação dos moradores com a Coronavac. Franco alega que não é possível estabelecer datas sem o registro das doses e pede que o governador “não brinque com a esperança de milhares de brasileiros” e “não venda sonhos que não possa cumprir”.

“Seria irresponsável darmos datas específicas para o início da vacinação, porque depende de registro em agência reguladora, posto que só saberemos da segurança completa quando finalizados os estudos clínicos da fase 3 [última etapa]”, diz no vídeo.

“Vale ressaltar mais uma vez que, segundo a Anvisa, nenhum dos laboratórios sequer iniciou o processo de autorização [da vacina] para uso emergencial em caráter experimental”, completa.

“Tudo isso contradiz o governador de são Paulo João Doria, que se equivocou talvez por desconhecimento do marco regulatório sanitário brasileiro”, diz. “Como estabelecer um calendário de vacinação sem saber se a vacina estará liberada para uso com a certeza de sua segurança e eficácia?”, completa.

Franco ressalta na gravação que a pasta será responsável pelo programa nacional de vacinação “o mais brevemente possível” depois da autorização da Anvisa e não descartou o uso da Coronavac, que está sendo produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a fabricante chinesa Sinovac. Ele fala ainda em uma ação integrada entre governo federal, estados, municípios e iniciativa privada.

“O brasileiros que puderem ser vacinados terão o direito garantido de forma segura, eficaz e gratuita. Isso no momento em que a Anvisa aprovar [a vacina] seguindo princípios do SUS [Sistema Único de Saúde] e os conhecimentos científicos”, destaca.

“Esclareço ainda que a vacina anunciada pelo Butantan, maior fornecedor de vacinas para o Ministério da Saúde, ao ser registrada e aprovada pela Anvisa, confirmando suas condições de segurança e eficácia, será também adquirida e adicionada ao plano nacional de vacinação contra a Covid-19”, afirma.

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