Vacina da UFPR contra a Covid-19 deve ser submetida à Anvisa neste ano

Vinicius Cordeiro

vacina ufpr contra covid-19

A vacina contra Covid-19 que está sendo desenvolvida pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) tem previsão de ser submetida à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em cerca de seis meses. Contudo, essa primeira análise da agência é para ter o aval dos testes em seres humanos já que a pesquisa é feita com animais neste momento.

Dentre as outras vacinas que estão sendo estudadas no país, duas têm maior destaque até agora. A ButanVac, pesquisada pelo Instituto Butantan, e a vacina da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP (Universidade de São Paulo), aguardam autorização da Anvisa.

“Essas duas [vacinas] estão em fase mais adiantada, já protocolaram o pedido para ingressar na fase clínica. Ou seja, saem da fase de com animais e buscam testes em seres humanos. Estimamos que chegaremos a essa etapa dentro de aproximadamente seis meses, se não acontecer nenhuma intercorrência nas pesquisas”, afirmou Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da UFPR.

Segundo ele, a previsão é que a vacina da UFPR fique pronta somente em 2022. Apesar da projeção, Fonseca reiterou que a função é ajudar na imunização da população ao longo dos anos, já que não há certeza sobre a duração da imunização das vacinas.

“Essa vacina vai ser necessária e estratégia em 2022, 2023 e quem sabe até depois. Adianto que é uma vacina 100% nacional, paranaense. Uma vacina de baixíssimo custo, que pode dar as condições no futuro para uma soberania tecnológica, que hoje tem afligido nossa sociedade à espera de insumos da Índia e da China”.

Por fim, o reitor ainda disse que negociações para fabricação em massa ainda não estão no radar. Os diálogos permanentes são com o governo do Paraná, que acertou o investimento de pouco menos de R$ 1 milhão antes da fase clínica.

“O conjunto das universidades públicas brasileiras têm trabalhado como nunca neste último ano. A UFPR tem sido demandada, os cientistas têm sido demandados e nós absolutamente não paramos”, completou.

PESQUISADORES EXPLICAM DESENVOLVIMENTO DA VACINA DA UFPR CONTRA A COVID

Em entrevista coletiva, alguns dos pesquisadores envolvidos na vacina da UFPR explicaram como ela é feita e como são os processos.

O projeto começou com um financiamento de R$ 230 mil, além de R$ 1 mil usados por recursos destinados ao Programa de Pós-Graduação da Universidade. Contudo, a pesquisa acertou um financiamento do governo do Paraná. A gestão de Ratinho Junior vai R$ 995 mil para a conclusão da fase de estudos pré-clínicos.

“O investimento inicial foi bastante modesto. A partir dessa parceria com o governo do estado e a Fundação Araucária, nós agora temos financiamento da ordem de R$ 1 milhão e a gente espera que seja suficiente para concluir a fase pré-clínica de forma que tenhamos o conjunto de resultados necessários para solicitar a autorização à Anvisa”, afirmou Emanuel Matempi de Souza, vice-diretor do Setor de Ciências Biológicas da UFPR.

COMO FUNCIONA

Para criar uma vacina, é possível usar o vírus inteiro (como faz a CoronaVac), ácidos nucleicos (como da Pfizer e Moderna), vetor viral, que é usado vírus diferente do original, mas que contém parte do material genético inserido no genoma (caso da AstraZeneca) e proteínas isoladas do vírus ou produzidas de forma recombinante, que é a forma da vacina da UFPR.

Os estudos foram iniciados em junho de 2020 e, até agora, apresentaram resultados favoráveis e que confirmam a produção de anticorpos contra a Covid-19.

O principal destaque é que a vacina conta com insumos brasileiros, que podem ser fabricados aqui

“Considerando só os insumos, o preço dessa vacina é R$ 5 por doses. A gente acha que é um valor bastante baixo e todos os insumos são produzidos no Brasil. O principal é o biopolímero, que temos fábrica no Brasil”, completa Matempi.

Por fim, há expectativa que não haja problemas em relação às variantes da Covid por se tratar de uma vacina com base na proteína. Isso

“Vou destacar que esse sistema é multifuncional porque eu posso mudar o antígeno. Eu posso usar o gene do coronavírus mais comum ou uma das variantes, então podemos produzir vacinas contra as variantes muito rapidamente sem mudar a estrutura de uma fábrica”, finalizou o pesquisador.

Por fim, vale frisar que a UFPR ainda não está planejando a distribuição e nem sequer a produção do imunizante já que os testes em laboratório ainda precisam durar mais alguns meses.

Veja toda a apresentação e dúvidas existentes sobre a vacina da UFPR contra a Covid-19

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