Covid-19: vacinas são eficazes, mas cobertura ainda é baixa, avalia infectologista

Redação

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Desenvolvidas em tempo recorde, as vacinas contra a covid-19 têm entregado bons resultados na prática. Embora eficazes, elas compõem uma estratégia coletiva que só propicia um cenário favorável quando mais da metade da população está imunizada.

Para a médica infectologista Viviane de Macedo, ainda é cedo para discutir uma eventual volta à normalidade. Assim, as medidas de prevenção ao coronavírus serão fundamentais até que, pelo menos, 75% da população esteja vacinada com as duas doses.

Nações que iniciaram a vacinação contra a covid-19 mais cedo e contam, atualmente, com maior cobertura vacinal, como Reino Unido, Estados Unidos e Israel, por exemplo, experimentam um período de baixa mortalidade, mesmo com os casos em alta.

“No Brasil, temos dois estudos grandes, em Serrana (SP) e em Botucatu (SP), que mostram que com 75% de cobertura vacinal há um grande impacto na redução de internações e óbitos”, destaca Macedo, que também é Doutora em Ciências.

Embora o País esteja longe de alcançar a marca – com pouco mais de 37 milhões de imunizados, que correspondem a quase 18% da população -, as vacinas contra a covid-19 já mostram bons resultados em território nacional.

A médica infectologista lembra que na terceira onda da pandemia do coronavírus no Brasil, entre março e abril, o cenário de restrições era semelhante ao atual. No entanto, a média móvel de mortes, que era de mais de 3 mil por dia, caiu para 1,1 mil.

“A gente mudou nosso comportamento? Melhorou nosso isolamento? Muito pouco. No Brasil, as medidas de distanciamento contra a covid não são tão respeitadas. Qual foi o diferencial nesse período? Foi o aumento do número de pessoas vacinadas”, avalia.

SOMMELIERS DE VACINAS

A médica infectologista cita a desinformação e a politização das vacinas como os dois principais fatores para o surgimento dos chamados “sommeliers de vacina” – pessoas que deliberadamente atrasam o início da vacinação ou buscam alternativas irregulares para acessar imunizantes de determinado fabricante.

“De fato, eles atrapalham a imunização porque o próprio comportamento de escolher a vacina pode estimular outras pessoas a fazer o mesmo. Eles acabam atuando como influenciadores ruins, provocando o atraso da imunização”, diz Viviane de Macedo.

A médica reforça que a vacinação é uma estratégia coletiva de contenção da pandemia da covid-19, sendo necessário aplicar a vacina na maior parte da população para romper a cadeia de transmissão do coronavírus e, assim, controlar os contágios.

“Sem a vacinação em massa, a gente não consegue cortar a transmissão. É preciso diminuir o número de pessoas infectadas, reduzindo a quantidade de doentes em estado grave e evitando o desenvolvimento de novas variantes”, afirma.

ENTREVISTA: MÉDICA INFECTOLOGISTA VIVIANE DE MACEDO

Além de tratar sobre as vacinas contra a covid-19 e o comportamento da população, a médica infectologista Viviane de Macedo também respondeu perguntas sobre a variante delta, medidas de contenção e futuro da pandemia.

Confira a íntegra da entrevista:

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