Veja o que se sabe sobre a nova variante de Covid, Ômicron

Ana Estela de Sousa Pinto - Folhapress

Cientistas examinam se a mutação é resistente a vacinas
Covid variantes

Ainda é cedo para entender seus efeitos sobre o contágio, a gravidade da doença ou a eficácia da vacina, mas, como ela apresenta muitas mutações, governos preferiram se antecipar enquanto forças-tarefa de cientistas trabaham “24 horas por dia” para entendê-la. Veja algumas perguntas e respostas sobre o novo mutante, a B.1.1.529,batizada nesta sexta (26) pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como ômicron.

Quando ela foi detectada?

Na terça (23), cientistas começaram a chamar a atenção para uma variante com um grande número de mutações, algumas descritas como “terríveis”, na proteína S (de spike, ou espícula), usada pelo Sars-Cov-2 para entrar nas células humanas. Na quarta (24), ela recebeu o “nome” (classificação dentro das linhagens de coronavírus) de B.1.1.529.

Hoje, a OMS (Organização Mundial da Saúde) batizou a variante como ômicron.

Onde ela apareceu?

O sequenciamento foi feito na África do Sul, o que não quer dizer que a variante tenha surgido lá. O país tem investido na vigilância da pandemia e no sequenciamento genético do coronavírus, o que aumenta suas chances de encontrar mutantes.

 

Por que os cientistas se preocuparam?

Um dos primeiros virologistas a alertar para a variante, Tom Peacock, do Imperial College de Londres, ressaltou que as mutações feitas na proteína S eram as “mais horríveis” já vistas, e que era a primeira vez que ele via não uma, mas duas mutações “no local de clivagem da furina”.

O diretor do Ceri (centro para resposta a epidemias e inovação da África do Sul), Túlio de Oliveira, afirmou na quinta (25) que a variante surpreendeu os virologistas, porque “deu um grande salto na evolução e tem muito mais mutações do que se esperava.

A variante apresenta 50 mutações no total e mais de 30 na proteína S, as mais preocupantes, porque é a partir dela que são produzidas as vacinas.

Se sua estrutura é muito alterada em relação à usada para a produção de vacinas contra Covid, há preocupação de que os imunizantes percam eficácia contra a variante.

 

Isso quer dizer que as vacinas não funcionam contra essa variante?

Não há pesquisas suficientes ainda sobre como a variante atua nem como reage às vacinas e anticorpos de quem desenvolveu imunidade natural.

 

Quando será possível saber se a variante consegue driblar a vacina?

Nesta quinta (25), a OMS afirmou que pode levar algumas semanas até que se entenda melhor o impacto da nova variante.

 

A variante é mais contagiosa?

Ainda não se sabe. O diretor do Ceri (centro para resposta a epidemias e inovação da África do Sul), Túlio de Oliveira, afirmou na quinta (25) que a B.1.1.529 “tem potencial para se espalhar muito rapidamente”, e que os cientistas estão trabalhando “24 horas por dia” para entender os efeitos da nova variante em cinco pontos: 1) transmissibilidade; 2) efeito das vacinas; 3) possibilidade de reinfecção; 4) severidade da doença, e 5) diagnóstico.

 

Por que se suspeita que ela seja mais contagiosa?

Dados preliminares apontam que a variante aumentou rapidamente na província de Gauteng, a mais populosa do país e que inclui Pretória e Johannesburgo, e já pode estar presente nas outras oito províncias do país.

Segundo o diretor do Ceri, a vigilância genômica aponta que a B.1.1.529, em menos de duas semanas, já sobressai em relação às infecções pelas outras variantes da Covid, logo após “uma devastadora onda da delta”.

Pesquisadores afirmam que cerca de 90% dos novos casos em Gauteng poderiam estar associados à variante B.1.1.529.

O NICD (Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul), porém, não atribui o crescimento de caso locais à nova variante.

No país, que vacinou completamente 24% de sua população, cerca de 2.500 casos novos foram registrados na quinta, contra 100 no início do mês.

 

A variante terá o nome de uma letra grega?

Possivelmente. Isso deve ser decidido em reunião na tarde desta sexta, pela OMS, que atribui letras gregas a mutações que considera como variantes “de atenção” (que devem ter seus efeitos acompanhados) e “de preocupação” (que são mais transmissíveis ou causam mais danos, como a alfa e a delta, por exemplo).
A próxima letra a ser atribuída é a nu (pronuncia-se niu), a 13ª do alfabeto grego.

Se ainda não há evidências sobre o impacto da variante, porque países estão proibindo voos e impondo quarentenas?
Por precaução, já que os cientistas chamaram a atenção para o potencial de risco, por causa do grande número de mutações na proteína S.

 

Onde há casos sequenciados?

Até esta quinta (25), havia 77 casos confirmados na província de Gauteng, na África do Sul, 4 em Botswana e 1 em Hong Kong (diretamente relacionado a uma viagem da África do Sul).

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