Crônica das Sextas
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O escritório de advocacia!

Lá pela década de 1970, alguns jovens senhores, conterrâneos da velha e querida Palmeira, resolveram continuar seus estu..

João Marcos - 14 de setembro de 2018, 05:47

Lá pela década de 1970, alguns jovens senhores, conterrâneos da velha e querida Palmeira, resolveram continuar seus estudos. Agora, no ensino superior. Uma atitude exemplar para os mais jovens.

Se dirigiam todas as noites à Faculdade de Direito na capital para assistirem às aulas. Muito sacrifício mesmo, 150 km entre a ida e a volta, muitas vezes com neblina, chuva...

Entre os novos acadêmicos o estimado e saudoso amigo, José Maria Camargo, o Zeca!

O tempo passou, formatura, canudo na mão e o título de doutor. A vida mudou para melhor e veio o reconhecimento pelos anos de sacrifícios e despesas.

O advogado alugara uma sala comercial na Praça da Matriz, ao lado do consultório odontológico do Dr. Aroldo dos Santos França, destacado profissional da odontologia.

Reformada a sala, decoração feita, tudo nos trinques e uma placa indicando o escritório do Dr. José Maria Camargo!

Se não me engano, a Dalva, uma das suas filhas era a sua secretária. Fora incumbida de providenciar os cartões de apresentação, instalação de um telefone, comprar uma agenda, bloco de recibos e outras providências para a atividade laboral.

Na mesa da secretária, um arranjo de flores, os cartões de apresentação e a agenda. Na outra sala, uma escrivaninha nova e um cadeira estofada de espaldar alto. O telefone, ainda sem a instalação da linha, por enquanto era um adorno decorativo.

Na parede atrás da mesa, o quadro que simboliza a justiça, personificada pela deusa grega Têmis, de olhos vendados, com uma espada na mão esquerda e uma balança de dois pratos na outra.

O Dr. Zeca, recolhido em sua sala, observava o sonho que se transformara em realidade. Sem dúvida uma conquista alcançada. Meritocracia! Um filme passava na tela da sua imaginação, desde o vestibular aos anos de estudo e dedicação e a festa da formatura...

De repente o primeiro cliente. Sua filha o avisara em alto e bom som pela porta entreaberta.

- Doutor tem um senhor aqui que quer lhe falar. Posso mandá-lo entrar?

- Pois não, senhorita. Sirva-lhe um cafezinho e peça que entre!

Enquanto a secretaria servia o cafezinho, mais que depressa o advogado passou a mão no telefone e simulou uma conversa sobre uma ação que fora vitorioso.

Terminada a conversa, o advogado cumprimentou o seu cliente:

- Boa tarde! Em que posso lhe ser útil?

- Nada não, doutor. Sou da Telepar. O telefone está desligado. Só vim ligá-lo no sistema.

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